quinta-feira, 30 de agosto de 2018

30 days writing challenge - Dia 7: Um lugar que exista apenas na sua mente

O piso de madeira parecia meio oscilante, pisei com calma, um passo de cada vez e naquele instante eu percebi que sim, essa era a casa que eu ia comprar.

Sonhei com ela uma vez e não se parece com nenhuma casa que eu já tenha visitado antes, tem o meu toque de loucura em cada cômodo. A fachada dela é azul, mas um tom de azul bem chamativo, com um portão amarelo, tem apenas o andar térreo, porque eu não suporto subir escadas... Ao entrar pelo portão, você se depara com uma passagem de jardim até a porta da casa, nela há pequenas imagens de porcelana entre as plantas, representando histórias da mitologia grega, mini-minotauro, uma medusinha, sátiros e ciclopes. 

O piso da casa é de madeira, ao chegar na sala range um pouquinho, mas tudo certo, tem um lindo sofá em formato de L, azul, da mesma cor da fachada da casa, pendurei os quadros d'A bailarina dentro da Tulipa, O casal robótico e Wakanda Forever, um em cada parede, que a propósito tem 3 paredes brancas e um desenho na quarta parede (sabe aquela imagem do sol nascendo em Rei Leão? Quando toca a música tema do filme e tudo está em tons de laranjado e preto? Pois é, essa imagem). 

Saindo da sala há um corredor enorme com 6 portas, uma amarela, uma verde, uma azul, uma vermelha, uma branca e uma preta. A porta amarela leva a um banheiro lindão, inspirado na paleta de cores do instagram da Bruna Vieira. A porta verde leva ao meu quarto, as paredes são feitas de pedra cinza, com um ar mais rústico e tem pequenos quadros de borda preta representando tudo que eu mais amo (uma foto da família reunida, uma foto do chalé 7, uma foto da sonserina e uma foto de uma tigela de açaí). A porta azul é o quarto das crianças, é o maior cômodo da casa, pra poder abrigar todos os 3 bebês confortavelmente, as paredes são multicolor, eles que pintaram mesmo, com giz de cera e canetas coloridas. A porta vermelha abriga um espaço de Terapias Alternativas particular, com colchonetes, luz azul no teto, uma maca pra massagens e outros materiaizinhos em um pequeno armário. A porta branca é um quarto de hospédes equipado com o que um visitante possa precisar. Por fim, a minha favorita, a porta preta, dentro dela há uma enorme biblioteca contendo todos os meus grandes amores que reuni até aqui: Rick Riordan, J.K. Rowling, Oscar Wilde e a lista é imensa... Aqui, mergulho em um mar de sonhos dentro de cada página que visito e todas às vezes que retorno à paginas já conhecidas eu me deparo com coisas novas, é inebriante. 

Há, ainda, uma cozinha que se estende pelo outro lado da sala e que dá vida a todo o sonho de saber cozinhar que existe em mim e nunca se concretizou, continuo queimando até água. No quintal, uma piscina de plástico alimenta a brincadeira das crianças e as tardes de domingo ensolaradas. Imaginei tudo, nos mínimos detalhes, do que para mim poderia ser um lar a ser construído, sendo sozinha ou com alguém ao meu lado, não importa. Em tese, pode ser muito difícil transformar tudo isso para uma realidade física, por isso, comecei a construi-la dentro de mim, todas as portas e caminhos, detalhes de amor e cuidado, cores e referências, tudo posto em uma única pessoa, como já dizia Ekena: Eu sou meu próprio lar. 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Efeito borboleta

A pouco tempo eu descobri uma das causas da minha recente dificuldade em me relacionar sexualmente com outra pessoa (tô sentindo esse dificuldade há alguns meses). Foi uma descoberta que me deixou chocada e perturbada sobre como as relações humanas podem afetar o nosso psicológico de uma tal forma que a gente nem se percebe. 

Eu tive um relacionamento difícil, há um tempo atrás. A pessoa que eu estava junto era relativamente fria (sexualmente falando, inclusive) e aos que me conhecem podem confirmar, eu sou uma pessoa completamente oposta de "fria". Sem toque, sem beijos voluptuosos, sem demonstrações de desejo e sem realização de fantasias. Ao invés de evoluir enquanto pessoa dentro do relacionamento, eu decaí. Isso afetou tanto o meu psicológico que comecei a acreditar que eu não era atraente, que não poderia ser sensual ou que meu corpo não era tão bonito como as pessoas diziam e isso já vem acontecendo tem mais ou menos um ano. Em outubro de 2017 eu terminei o namoro e em um espaço de tempo de uma semana transei com 4 pessoas (sendo 2 ménages), a partir daí eu não consegui mais ter nenhum envolvimento sexual com absolutamente ninguém. 

E acreditem, eu tentei... Usei o máximo de artifícios dos quais a minha mente dispunha pra convencer a mim mesma de que estava tudo bem em fazer sexo, fiz pesquisas pra embasar, conversei com amigos experientes, peguei dicas, assisti pornô, mas não adiantou. Cheguei a um ponto de ficar bêbada pra reunir coragem suficiente pra convidar alguém pra uma trepada sem compromisso (no caso, eu só conseguia convidar quando estávamos em uma situação impossível da pessoa aceitar, ou seja, minha mente conseguiu burlar até isso). E não é falta de tesão, porque isso eu tenho até estourar o olho do cu. 

Não sei bem se é insegurança, medo, aflição, ou tudo isso junto, mas, a verdade nua e crua: Eliza não consegue transar, nem mesmo chegar em preliminares. E isso me derruba de uma tal forma... Toda a tensão sexual fica acumulada e eu preciso liberar de algum jeito... Álcool, comida, dança e projetos que enchem minha vida, mente, corpo e alma, tudo pra evitar pensar em uma coisa, o sexo não feito. Isso eu não desejaria nem pra um inimigo. Porque, sabem, a sexualidade faz parte da humanidade e eu que a tive tanto antigamente, hoje não conseguindo colocar pra fora, me faz sentir como um balão preste a estourar no meio de uma sala, sem avisos, a qualquer momento. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

SEGREDOS

Em momentos incomuns da vida cotidiana, é comum encontrarmos pequenas coisas dentro de nós que nos enojam. Coisas que fazemos, mas que são consideradas estranhas pelas pessoas, por isso as chamamos de estranhas e tentamos escondê-las de todo mundo, inclusive de nós mesmos. 

Vou dar um exemplo: Hoje, eu percebi uma coisa em mim que me deixou enojada. Eu precisei assistir pornografia pra conseguir um pouco de excitação na masturbação. Mas não qualquer pornografia... Gangbang. Sabem o que significa essa palavra? Peguei na wikipédia: É caracterizado por cenas de sexo entre uma pessoa e várias pessoas diferentes em um curto espaço de tempo. Ok, seria mais um tipo de pornô, certo? Porém, eles usam essa definição e aplicam em casos que imitam a realidade, como sexo grupal e estupros coletivos. Ao terminar, senti nojo. Mas me dei conta de que já fiz a mesma coisa tantas outras vezes, sempre senti o mesmo nojo ao final, pegava a sensação e escondia em um baú no fundo da mente, pra não parecer para outras pessoas que eu sentia nojo de mim mesma.

É, amigos.. A gente pode até tentar se encaixar nos padrões que a sociedade molda e às vezes nem é culpa nossa.. Mas, somos estranhos. Todos nós. E pelo fato de não admitirmos nossas estranhezas, quando um de nós o faz, é taxado de estranho.
Mundo
Doido &
Doente.