quarta-feira, 28 de setembro de 2016

The boy on the pink shirt.

Conheci um garoto e ele é um poço de problemas ambulante. Não lembro bem como foi a primeira vez que nos falamos, não foi amor à primeira vista e eu não estava interessada em um relacionamento, naquele momento. Mas, estranhamente, nos demos muito bem e logo chama-lo de “meu” se tornou uma rotina. Só que ainda não o tive de verdade...

Todas as tardes eu o via, abraçava, cheirava e me enroscava no crescimento da nossa amizade, como uma tenia no intestino. Não me julgue mal, não estou dizendo que isso é uma doença, mas sou péssima com analogias.

Eu tentei em vão me esconder do que aconteceria, fugi o máximo que pude, mas adivinha só: Aconteceu no momento mais inesperado. Um dia eu cheguei na sala de aula, ele estava lá, sentado, despreocupadamente, com aquela clássica camisa rosa, uma garrafa de água nas mãos e gargalhando de alguma brincadeira dos nossos amigos. Naquele momento, parada na porta, ele olhou pra mim rindo e eu senti a pulsação acelerar, fiquei nervosa e corei, tudo em uma questão de microssegundos. Quando eu menos previ, percebi que o queria, não só de forma carnal e momentânea, queria sentir o seu toque sob mim, a pele na minha, mostrar a ele o quanto alguém poderia ama-lo e que esse alguém seria eu...

sábado, 17 de setembro de 2016

Um desastre de proporções faraônicas

Uma pausa para uma reflexão da vida. Um minuto para desobstruir os pensamentos. É tudo o que é necessário para causar um grande problema. Vovó sempre dizia “Cabeça vazia, é oficina do diabo” e eu concordo, mas para fazer funcionar a oficina, é preciso ter ferramentas e um trabalho final completo.
A oficina: Era redonda, se bem me lembro, com um aspecto multitarefas, fria e toda colorida em tons de cinza. Os sentimentos foram todos organizados por ordem alfabética em uma prateleira preta – eu tenho uma séria mania de organização – no fundinho mais escondido da sala, para ninguém ver mesmo. Haviam quatro mesas pelo meio e tantas prateleiras nas paredes, cada uma com projetos específicos de camadas diferentes da minha fachada.
As ferramentas: Eram quatro mesas. Na primeira coloquei o projeto álcool, como usar a cachaça para me fazer fugir da realidade e esquecer de todos os problemas que me jogavam no chão a cada dia. Na segunda mesa coloquei o projeto festas, as noites com luzes psicodélicas e música estrondeante que não deixavam espaço para que eu refletisse ou ao menos pensasse com clareza, era tudo baderna. Na terceira mesa veio o projeto vestibular, uma necessidade quase essencial de passar no curso mais concorrido de todos, para o qual precisaria da nota mais alta possível. A quarta e última mesa.. O projeto escudo. Esse, particularmente, deu bastante trabalho. Montar uma proteção eficiente para que imaginassem que o meu eu verdadeiro era um banho de álcool, bocas aleatórias e festas intermináveis, sem perceber os sentimentos organizados na maldita prateleira preta.
O projeto final: Um desastre. Decepções, perdas, choros descontrolados, amor sufocado, a raiva foi um efeito colateral e o medo de ser descoberta era constante nas horas de desespero.
Tudo foi por água a baixo por causa dele.
À passos de tartaruga ele chegou, uma frase aqui, um abraço ali
Meu escudo foi caindo aos poucos..
Um beijo e a sua preocupação se estendeu por todo o meu ser
O escudo rachou mais..
Os projetos são falhos, ele dizia, estou aqui
A música alta não me deixou ouvi-lo desistir
Encontro uma declaração e todo e qualquer projeto cai por terra
Não desista, eu digo, sou sua.
Seja meu maior e melhor projeto.

Um brigadeiro ontem, um doce de morango hoje, meu coração amanhã.