Conheci um garoto e ele é um poço de problemas ambulante.
Não lembro bem como foi a primeira vez que nos falamos, não foi amor à primeira
vista e eu não estava interessada em um relacionamento, naquele momento. Mas,
estranhamente, nos demos muito bem e logo chama-lo de “meu” se tornou uma
rotina. Só que ainda não o tive de verdade...
Todas as tardes eu o via, abraçava, cheirava e me enroscava
no crescimento da nossa amizade, como uma tenia no intestino. Não me julgue
mal, não estou dizendo que isso é uma doença, mas sou péssima com analogias.
Eu tentei em vão me esconder do que aconteceria, fugi o
máximo que pude, mas adivinha só: Aconteceu no momento mais inesperado. Um dia
eu cheguei na sala de aula, ele estava lá, sentado, despreocupadamente, com
aquela clássica camisa rosa, uma garrafa de água nas mãos e gargalhando de
alguma brincadeira dos nossos amigos. Naquele momento, parada na porta, ele
olhou pra mim rindo e eu senti a pulsação acelerar, fiquei nervosa e
corei, tudo em uma questão de microssegundos. Quando eu menos previ, percebi
que o queria, não só de forma carnal e momentânea, queria sentir o seu toque
sob mim, a pele na minha, mostrar a ele o quanto alguém poderia ama-lo e que
esse alguém seria eu...