sexta-feira, 23 de junho de 2017

Crônica parisiense

Era um simples banco de madeira vermelha, com pés de ferro e braços quebrados, nada mais. Mas, era o meu banco de madeira vermelha. Todos os dias, às cinco da tarde, eu sento naquele banco, uma xícara de chá verde ao lado, comprada na cafeteria em frente à praça e um livro surrado nas mãos. O mesmo livro de sempre, no qual a história se passa na mesma cidade onde estou.

Vejo várias pessoas passando por ali todos os dias. Um menino correndo atrás de uma bola, um homem apressado com uma pasta nas mãos, uma turista tirando fotos da enorme torre, um casal de mãos dadas apreciando a paisagem e é isso que prende minha atenção.

As mãos juntas como se não fossem mais soltar, o andar preguiçoso como se houvesse tempo para tudo, o modo lento que os lábios se moviam soltando as palavras no ar e, por fim, um beijo na ponta do nariz e um sorriso aberto, traduzindo um leve recado.. “Eu vou te proteger”. Para mim estava claro, eles se casariam dali há algum tempo, teriam uma linda casa com varanda em frente a um campo de flores e três crianças saudáveis. Quando os filhos já estivessem crescidos, eles poderiam descansar e morreriam juntos. Mas, seu amor não iria morrer, continuaria vivo no coração de filhos e netos. E no meu também. Foi o que eu desejei a eles dois, porque todo mundo merece um amor pra vida inteira.

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