Outro dia eu fui contar para alguns
amigos sobre uma situação romântica que não tava dando certo e uma delas me
presenteou com uma metáfora maravilhosa sobre relacionamentos, pessoas,
intensidade, juntos e shallow now.
Ela me disse que certas pessoas são como
oceanos: profundas e gigantes. E simplesmente algumas pessoas não estão dispostas
a nadar em algo tão grande quanto um oceano, preferem ficar no raso, naquilo
que lhe é seguro, do que nadar em alto-mar. Existem, também, outras pessoas que
são piscinas, que dá pra nadar com segurança, são rasas e o risco de acidentes
é bem menor.
É importante ressaltar que tanto as
pessoas oceano, quanto as pessoas piscina, são maravilhosas em suas
particularidades. Mas, o oceano é misterioso e nem sempre tu sabe o que vai
encontrar lá; como as piscinas são rasas, é muito fácil de enxergar o fundo e
sentir uma segurança maior, você só mergulha se quiser, não tem ondas para te
afogar e você pode sair fácil, sempre que quiser.
Por isso, muitas pessoas preferem
piscinas... É mais simples, sabe? Mesmo quando estão sujas, cheias de lodo ou
abarrotadas de gente lutando por um espacinho dentro delas, ainda assim, elas
são mais fáceis, por se tratar de uma situação que você pode controlar, ter
algum tipo de poder e cair fora assim que algo não te agradar.
Quando tu estás no oceano é bem
diferente... Ele pode ser incontrolável, te fazer apanhar a cada onda que joga
em cima de ti, porém, se você mergulhar, fica totalmente protegido da onda e
ainda tem um bônus: vai poder enxergar toda a maravilha que aquela vastidão azul
guarda.
O oceano é mistério, porque tudo que ele
contém é muito precioso, é tesouro guardado a sete chaves – ou sete ondas – e é
preciso muito mais do que um nado superficial para enxergar isso, da mesma
forma que é difícil enxergar, também é complicado sair dele, você se prende na
aventura e na descoberta de mil coisas a cada segundo.
Hoje, eu sei que sou uma pessoa oceano e
lido com as dificuldades de ser vastidão diariamente. Aprendendo com a loucura
de ser imensidão e com a solidão, também. Sei do medo que as pessoas têm ao olhar para
as minhas profundezas, da insegurança e a vontade de sair correndo pra longe,
mas sigo na calmaria e na fé de que, um dia, alguém irá mergulhar... E irá
gostar da vista.