Às vezes eu acho que esse é o problema
de todos os relacionamentos que eu já tive e que deram errado. Para todos os momentos,
para cada ideia doida, para cada “oi sumida” eu me coloquei à
disponibilidade... Mudei agenda, cancelei compromissos, larguei outros amigos
de lado e estava lá, à disposição da pessoa para que ela fizesse o que quisesse
comigo.
E hoje, analisando a letra de “If I were
a boy” da Beyoncé, ela fala um pouco sobre isso, quando diz que o macho faz
absolutamente o que quer, porque ele sabe que a mulher dele tá “garantida”,
porque ela era disponível, estava lá e fazia o que ele queria.
Somos ensinadas desde pequenas que se a
gente ficar sozinha, ou sem a presença de um homem nas nossas vidas, nós
seremos infelizes e por muito tempo eu acreditei nisso fielmente. Que eu só
seria feliz quando casasse com um macho, constituísse família, com um emprego e
estabilidade financeira: a vida perfeita.
Mas a questão é que isso nos torna
dependentes emocionalmente da ideia de um ser masculino que vai nos tirar todos
os problemas, digno de um conto de fadas da Disney, tal qual o príncipe da
Cinderela. E a gente procura esse macho em cada relacionamento, em cada pessoa
que passa pelas nossas vidas e imaginem vocês a frustração de descobrir que o
príncipe não existe e que se a gente não bancar a Moana e se salvar sozinha,
vamos ser arrastadas pelo mar a qualquer momento.
A frustração não está em se salvar
sozinha. Longe disso. Ela está nas falas de cada mãe, madrinha, avó, tia,
prima, irmã que é infeliz nos seus casamentos, mas continua perpetuando a ideia
de que seriam infinitamente mais infelizes se não tivessem casado com o tal
macho. É isso que dói, o julgamento vindo por parte daquelas que mais amamos e
que mais vemos sofrer (tapas, hematomas, violência material, verbal, puta,
vadia). É nessas que a nossa luta chega de forma distorcida e acabamos
descontando aquilo que elas APENAS foram ensinadas a repetir.
Que sejamos Moana’s, que busquemos a
nossa voz para fugir dessa dependência emocional, que não estejamos mais 100%
disponíveis para os outros e nunca para nós mesmas, que aprendamos a não mais
repetir o que os outros dizem e sim construir nossos próprios pensamentos e
falas, mas, principalmente, que a gente pare de culpabilizar as nossas e comece
a direcionar nossa luta para os verdadeiros culpados de tudo.
Eu sei que eu sou disponível. Sempre
fui. E dificilmente vou deixar de ser. Mas, é hora de aprender a ser disponível
para quem também é disponível pra mim, a tal da reciprocidade, né?!
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