quarta-feira, 12 de junho de 2019

Eu sou uma pessoa disponível.


Às vezes eu acho que esse é o problema de todos os relacionamentos que eu já tive e que deram errado. Para todos os momentos, para cada ideia doida, para cada “oi sumida” eu me coloquei à disponibilidade... Mudei agenda, cancelei compromissos, larguei outros amigos de lado e estava lá, à disposição da pessoa para que ela fizesse o que quisesse comigo.

E hoje, analisando a letra de “If I were a boy” da Beyoncé, ela fala um pouco sobre isso, quando diz que o macho faz absolutamente o que quer, porque ele sabe que a mulher dele tá “garantida”, porque ela era disponível, estava lá e fazia o que ele queria.

Somos ensinadas desde pequenas que se a gente ficar sozinha, ou sem a presença de um homem nas nossas vidas, nós seremos infelizes e por muito tempo eu acreditei nisso fielmente. Que eu só seria feliz quando casasse com um macho, constituísse família, com um emprego e estabilidade financeira: a vida perfeita.

Mas a questão é que isso nos torna dependentes emocionalmente da ideia de um ser masculino que vai nos tirar todos os problemas, digno de um conto de fadas da Disney, tal qual o príncipe da Cinderela. E a gente procura esse macho em cada relacionamento, em cada pessoa que passa pelas nossas vidas e imaginem vocês a frustração de descobrir que o príncipe não existe e que se a gente não bancar a Moana e se salvar sozinha, vamos ser arrastadas pelo mar a qualquer momento.

A frustração não está em se salvar sozinha. Longe disso. Ela está nas falas de cada mãe, madrinha, avó, tia, prima, irmã que é infeliz nos seus casamentos, mas continua perpetuando a ideia de que seriam infinitamente mais infelizes se não tivessem casado com o tal macho. É isso que dói, o julgamento vindo por parte daquelas que mais amamos e que mais vemos sofrer (tapas, hematomas, violência material, verbal, puta, vadia). É nessas que a nossa luta chega de forma distorcida e acabamos descontando aquilo que elas APENAS foram ensinadas a repetir.

Que sejamos Moana’s, que busquemos a nossa voz para fugir dessa dependência emocional, que não estejamos mais 100% disponíveis para os outros e nunca para nós mesmas, que aprendamos a não mais repetir o que os outros dizem e sim construir nossos próprios pensamentos e falas, mas, principalmente, que a gente pare de culpabilizar as nossas e comece a direcionar nossa luta para os verdadeiros culpados de tudo.

Eu sei que eu sou disponível. Sempre fui. E dificilmente vou deixar de ser. Mas, é hora de aprender a ser disponível para quem também é disponível pra mim, a tal da reciprocidade, né?!

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