quinta-feira, 13 de junho de 2019

Oceanos e piscinas


Outro dia eu fui contar para alguns amigos sobre uma situação romântica que não tava dando certo e uma delas me presenteou com uma metáfora maravilhosa sobre relacionamentos, pessoas, intensidade, juntos e shallow now.
Ela me disse que certas pessoas são como oceanos: profundas e gigantes. E simplesmente algumas pessoas não estão dispostas a nadar em algo tão grande quanto um oceano, preferem ficar no raso, naquilo que lhe é seguro, do que nadar em alto-mar. Existem, também, outras pessoas que são piscinas, que dá pra nadar com segurança, são rasas e o risco de acidentes é bem menor.
É importante ressaltar que tanto as pessoas oceano, quanto as pessoas piscina, são maravilhosas em suas particularidades. Mas, o oceano é misterioso e nem sempre tu sabe o que vai encontrar lá; como as piscinas são rasas, é muito fácil de enxergar o fundo e sentir uma segurança maior, você só mergulha se quiser, não tem ondas para te afogar e você pode sair fácil, sempre que quiser.
Por isso, muitas pessoas preferem piscinas... É mais simples, sabe? Mesmo quando estão sujas, cheias de lodo ou abarrotadas de gente lutando por um espacinho dentro delas, ainda assim, elas são mais fáceis, por se tratar de uma situação que você pode controlar, ter algum tipo de poder e cair fora assim que algo não te agradar.
Quando tu estás no oceano é bem diferente... Ele pode ser incontrolável, te fazer apanhar a cada onda que joga em cima de ti, porém, se você mergulhar, fica totalmente protegido da onda e ainda tem um bônus: vai poder enxergar toda a maravilha que aquela vastidão azul guarda.
O oceano é mistério, porque tudo que ele contém é muito precioso, é tesouro guardado a sete chaves – ou sete ondas – e é preciso muito mais do que um nado superficial para enxergar isso, da mesma forma que é difícil enxergar, também é complicado sair dele, você se prende na aventura e na descoberta de mil coisas a cada segundo.
Hoje, eu sei que sou uma pessoa oceano e lido com as dificuldades de ser vastidão diariamente. Aprendendo com a loucura de ser imensidão e com a solidão, também.  Sei do medo que as pessoas têm ao olhar para as minhas profundezas, da insegurança e a vontade de sair correndo pra longe, mas sigo na calmaria e na fé de que, um dia, alguém irá mergulhar... E irá gostar da vista.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Eu sou uma pessoa disponível.


Às vezes eu acho que esse é o problema de todos os relacionamentos que eu já tive e que deram errado. Para todos os momentos, para cada ideia doida, para cada “oi sumida” eu me coloquei à disponibilidade... Mudei agenda, cancelei compromissos, larguei outros amigos de lado e estava lá, à disposição da pessoa para que ela fizesse o que quisesse comigo.

E hoje, analisando a letra de “If I were a boy” da Beyoncé, ela fala um pouco sobre isso, quando diz que o macho faz absolutamente o que quer, porque ele sabe que a mulher dele tá “garantida”, porque ela era disponível, estava lá e fazia o que ele queria.

Somos ensinadas desde pequenas que se a gente ficar sozinha, ou sem a presença de um homem nas nossas vidas, nós seremos infelizes e por muito tempo eu acreditei nisso fielmente. Que eu só seria feliz quando casasse com um macho, constituísse família, com um emprego e estabilidade financeira: a vida perfeita.

Mas a questão é que isso nos torna dependentes emocionalmente da ideia de um ser masculino que vai nos tirar todos os problemas, digno de um conto de fadas da Disney, tal qual o príncipe da Cinderela. E a gente procura esse macho em cada relacionamento, em cada pessoa que passa pelas nossas vidas e imaginem vocês a frustração de descobrir que o príncipe não existe e que se a gente não bancar a Moana e se salvar sozinha, vamos ser arrastadas pelo mar a qualquer momento.

A frustração não está em se salvar sozinha. Longe disso. Ela está nas falas de cada mãe, madrinha, avó, tia, prima, irmã que é infeliz nos seus casamentos, mas continua perpetuando a ideia de que seriam infinitamente mais infelizes se não tivessem casado com o tal macho. É isso que dói, o julgamento vindo por parte daquelas que mais amamos e que mais vemos sofrer (tapas, hematomas, violência material, verbal, puta, vadia). É nessas que a nossa luta chega de forma distorcida e acabamos descontando aquilo que elas APENAS foram ensinadas a repetir.

Que sejamos Moana’s, que busquemos a nossa voz para fugir dessa dependência emocional, que não estejamos mais 100% disponíveis para os outros e nunca para nós mesmas, que aprendamos a não mais repetir o que os outros dizem e sim construir nossos próprios pensamentos e falas, mas, principalmente, que a gente pare de culpabilizar as nossas e comece a direcionar nossa luta para os verdadeiros culpados de tudo.

Eu sei que eu sou disponível. Sempre fui. E dificilmente vou deixar de ser. Mas, é hora de aprender a ser disponível para quem também é disponível pra mim, a tal da reciprocidade, né?!