domingo, 29 de abril de 2018

Lembranças

Hoje ela acordou lembrando do carinho na bunda que Mariana lhe fazia todas as manhãs. Dos beijos molhados e dos tapas descarados. O sexo incrível misturado com o aroma de café quente pela manhã era uma das suas partes favoritas. A forma como seus corpos se encaixavam a faziam ir a loucura pensando em mil formas de se entregarem prazer. Mas hoje ela acordou sozinha, apenas lembrando.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cartas de Liandra - 2

Giulio,

Tu chegou na minha vida como um tsunami. Rápido, gritante, espalhafatoso e destruidor. Eu não esperava por ti e decididamente não achava que tu me farias sentir tudo aquilo. Foi assustador e ao mesmo tempo muito excitante. Eu sempre queria mais de ti e o mais engraçado é que tu nunca me dava esse mais. Sempre fazia o mesmo e eu agonizava nas minhas poças de expectativa, aguardando o momento em que tu apareceria e me faria tua.

O momento nunca chegou, é claro, mas o grande erro estava em mim, eu que coloquei estas expectativas no nível mais alto, eu que sempre esperava mais quando tu não me davas indício nenhum de que o "mais" um dia viria, ou seja, sempre fui eu, em meus devaneios, que criei uma imagem de ti que não era real. 

E durante muito tempo eu te culpei... Pelo relacionamento não ter dado certo, pelas nossas características não baterem e por tu não fazer jus às minhas expectativas. Eu te culpei por tudo de errado que eu estava fazendo. Eu fui tola. Ingênua. Estúpida. 

Um dia, espero que a gente consiga conversar sobre tudo isso pessoalmente, como adultos, pra eu poder me desculpar pelo que fiz e te dizer que o teu jeito de ser não precisa ser completamente modificado para estar com outra pessoa, mais bonito seria encontrar com alguém que se encaixe contigo. Porque o encaixe é muito mais delicioso do que o ajuste.

Até a vista.

STAY

O que você fez?
O que você deixou de fazer?
Isso realmente faz diferença?
Nesse mundo tão complicado, às vezes não damos importância às pequenas coisas da vida, aos detalhes e frestas que se estendem à nós.
O objetivo da viagem para mim está claro: Você vem ao mundo para dar o seu melhor, para fazer o bem à humanidade e isso é recompensado. Às vezes.
Nessa viagem você cria laços, seja de amor, ódio, luxúria, amizade, vingança.. e a vida vem e corta esses laços. Te faz sorrir com isso. Te faz sofrer com isso. O importante não é o corte, mas o sentimento que vem com ele. Tome cuidado, para que esse sentimento não tome conta de você, pois até o mais nobre dos sentimentos pode te transformar em um monstro do que você realmente quis ser um dia.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Somos programados pra cair

Eu queria começar esse texto dizendo pra todo mundo que sente que o mundo tá virando de cabeça pra baixo, uma única coisa: Tá tudo bem, nós somos realmente programados pra cair.

Essa é uma das frases da Música "Amianto" da banda Supercombo. Uma música que revira as nuances de uma tentativa de suicídio e de uma pessoa tentando impedi-lo. Eu não quero falar sobre suicídio e não vou. Pelo menos não agora. Mas o que me trouxe aqui foi a bendita frase que dá título ao texto...

Pensem junto comigo.. A gente nasce num ambiente completamente hostil, não é mais quentinho como no útero da mamãe, de repente um sopro violento de ar invade nossos nariz e pulmões, queimando e a gente chora. E chora muito. A gente cresce percebendo que a mamãe talvez não seja tão boazinha, que o papai, se ele existir, pode ser muito mal às vezes. Porque nos é ensinado a dividir tudo entre o que é bom e o que é ruim. Brincar com os amiguinhos é bom. Brincar na rua é ruim. Meninas usando lacinho rosa é bom. Meninos usando lacinho rosa é ruim. E tudo vira uma lista de prós e contras.

A gente chega na adolescência com tudo mudando, pelo crescendo onde não existia, voz fina, voz grossa, esse menino não vai virar homem não? A pressão cresce... Ele vai prestar vestibular, sabem? Meu filho, um juiz! Mas será se ela ouviu o que ele tinha pra dizer? A vontade de voltar a usar os lacinhos cor de rosa da irmã e virar cantor são engolidas dentro das apostilas do ENEM. Mas ele segue lá, não passou de primeira.. Ele tenta de novo.. Não foi dessa vez. Mas espera aí! Tá vindo uma repescagem, eu tô vendo.. ALÔ ALÔ ALÔ PAPAI, ALÔ MAMÃE!

Aí começa a faculdade, quando começa, pra aqueles que não chegam nem a prestar o vestibular o mundo é outro, diferente do que eu conheço (e por enquanto vou falar sobre o que me é conhecido). Ela é linda a princípio, o grande sonho, ela chegou e tá aqui brilhando na minha frente, a tão esperada graduação. 
E ela te fode. 
Ahhh e que foda.
Ela arreganha teus neurônios, 
enrijece todos os teus músculos, 
faz tu gozar lágrimas pelos olhos
e te abandona como uma puta num bordel.
Só pra chegar um novo dia e tu ser fodido novamente, de novo, outra vez.

Eu ainda não sei como ela termina, tô no aguardo dessa foda diária terminar. Mas vocês conseguem perceber nessa trajetória a bagunça que é? A loucura que a vida oferece todos os dias sem pedir? O quanto ela te cobra? Pois então, desde o início, a gente é avisado de que o massacre é real e que toda a merda vai cair em cima da gente um dia. A vida avisa! Mas, ela não dá trégua nenhuma. E a gente cai. Ou vai cair. Ou já caiu. E ela ainda faz questão de exigir que um dia tu levante!!! 

Eu não sei como terminar esse texto. Ainda tô aqui tentando levantar. 

"Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor"

segunda-feira, 23 de abril de 2018

30 days writing challenge - Dia 6: Escreva algo de terror

A luz batia em seus olhos, ardendo, salpicando sua visão de estrelinhas e forçando-a a fecha-los rapidamente para se acostumar a visão. O rosto estava marcado por linhas de suor que lhe escorriam pela pele, caindo na roupa e deixando ali suas pequenas marcas. Cansada de esperar naquela fila imensa por um punhado daquilo tão esperado. E ela pegou. Conseguiu, por fim, tê-lo em suas mãos. Segurou com força, como a coisa mais preciosa da sua vida e seguiu em frente, rumo à sua casa.

A alguns metros dali, vinha um homem em estado deplorável, o bafo de bebida era forte e a condução que fazia em sua moto era de um todo questionável. Ele mirou a menina, viu ela na fila, sedento por sangue. Não aguentava mais olhar para ela todos os dias e pensar em como ela conseguia estar viva, se não estava com ele. Se achava o mais irresistível e importante de todos os homens e ela não tinha o direito de deixá-lo.

O plano foi armado, a noite, quando ela dormisse, ele entraria pela sua janela, despiria a garota de todo o seu pudor e a comeria, pra ela ver como ele era o melhor homem do mundo e que ela deveria voltar para ele, é claro. Ele pensou em todos os detalhes, naquela manhã, bebendo no bar da rua da casa dela. Só não contava com uma coisa... Vê-la.

O pulso dele acelerou, sentiu os nervos gritando e a adrenalina pulsando nas veias junto com o álcool, estava claro que ela não iria aceitá-lo de volta.. Ele só tinha uma única alternativa! Acelerou a motocicleta, largou todo o medo e decidiu entregar-se à morte junto com o amor da sua vida.

Mas, ela não estava pronta para morrer. Quando viu o seu antigo amor vindo em sua direção, ela não conseguiu reagir rapidamente, ele a pegou de raspão em um violento baque.. Sangue para todo lado.. Dor estampada nos rostos dos antigos amantes.. O horror em que assistiu à cena.. E os gritos da mulher em choque ao ver o seu 1 litro de açaí sendo derramado no asfalto quente, junto com o seu próprio sangue.

FIM.

P.S.: Eu sou péssima para terror, tanto para ler, quanto para escrever. Mas traduzi aqui o que pra mim seria um terror - Ser machucada por alguém que eu cheguei a considerar um amor e derramar 1 litro de açaí.