quarta-feira, 25 de abril de 2018

Somos programados pra cair

Eu queria começar esse texto dizendo pra todo mundo que sente que o mundo tá virando de cabeça pra baixo, uma única coisa: Tá tudo bem, nós somos realmente programados pra cair.

Essa é uma das frases da Música "Amianto" da banda Supercombo. Uma música que revira as nuances de uma tentativa de suicídio e de uma pessoa tentando impedi-lo. Eu não quero falar sobre suicídio e não vou. Pelo menos não agora. Mas o que me trouxe aqui foi a bendita frase que dá título ao texto...

Pensem junto comigo.. A gente nasce num ambiente completamente hostil, não é mais quentinho como no útero da mamãe, de repente um sopro violento de ar invade nossos nariz e pulmões, queimando e a gente chora. E chora muito. A gente cresce percebendo que a mamãe talvez não seja tão boazinha, que o papai, se ele existir, pode ser muito mal às vezes. Porque nos é ensinado a dividir tudo entre o que é bom e o que é ruim. Brincar com os amiguinhos é bom. Brincar na rua é ruim. Meninas usando lacinho rosa é bom. Meninos usando lacinho rosa é ruim. E tudo vira uma lista de prós e contras.

A gente chega na adolescência com tudo mudando, pelo crescendo onde não existia, voz fina, voz grossa, esse menino não vai virar homem não? A pressão cresce... Ele vai prestar vestibular, sabem? Meu filho, um juiz! Mas será se ela ouviu o que ele tinha pra dizer? A vontade de voltar a usar os lacinhos cor de rosa da irmã e virar cantor são engolidas dentro das apostilas do ENEM. Mas ele segue lá, não passou de primeira.. Ele tenta de novo.. Não foi dessa vez. Mas espera aí! Tá vindo uma repescagem, eu tô vendo.. ALÔ ALÔ ALÔ PAPAI, ALÔ MAMÃE!

Aí começa a faculdade, quando começa, pra aqueles que não chegam nem a prestar o vestibular o mundo é outro, diferente do que eu conheço (e por enquanto vou falar sobre o que me é conhecido). Ela é linda a princípio, o grande sonho, ela chegou e tá aqui brilhando na minha frente, a tão esperada graduação. 
E ela te fode. 
Ahhh e que foda.
Ela arreganha teus neurônios, 
enrijece todos os teus músculos, 
faz tu gozar lágrimas pelos olhos
e te abandona como uma puta num bordel.
Só pra chegar um novo dia e tu ser fodido novamente, de novo, outra vez.

Eu ainda não sei como ela termina, tô no aguardo dessa foda diária terminar. Mas vocês conseguem perceber nessa trajetória a bagunça que é? A loucura que a vida oferece todos os dias sem pedir? O quanto ela te cobra? Pois então, desde o início, a gente é avisado de que o massacre é real e que toda a merda vai cair em cima da gente um dia. A vida avisa! Mas, ela não dá trégua nenhuma. E a gente cai. Ou vai cair. Ou já caiu. E ela ainda faz questão de exigir que um dia tu levante!!! 

Eu não sei como terminar esse texto. Ainda tô aqui tentando levantar. 

"Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor"

segunda-feira, 23 de abril de 2018

30 days writing challenge - Dia 6: Escreva algo de terror

A luz batia em seus olhos, ardendo, salpicando sua visão de estrelinhas e forçando-a a fecha-los rapidamente para se acostumar a visão. O rosto estava marcado por linhas de suor que lhe escorriam pela pele, caindo na roupa e deixando ali suas pequenas marcas. Cansada de esperar naquela fila imensa por um punhado daquilo tão esperado. E ela pegou. Conseguiu, por fim, tê-lo em suas mãos. Segurou com força, como a coisa mais preciosa da sua vida e seguiu em frente, rumo à sua casa.

A alguns metros dali, vinha um homem em estado deplorável, o bafo de bebida era forte e a condução que fazia em sua moto era de um todo questionável. Ele mirou a menina, viu ela na fila, sedento por sangue. Não aguentava mais olhar para ela todos os dias e pensar em como ela conseguia estar viva, se não estava com ele. Se achava o mais irresistível e importante de todos os homens e ela não tinha o direito de deixá-lo.

O plano foi armado, a noite, quando ela dormisse, ele entraria pela sua janela, despiria a garota de todo o seu pudor e a comeria, pra ela ver como ele era o melhor homem do mundo e que ela deveria voltar para ele, é claro. Ele pensou em todos os detalhes, naquela manhã, bebendo no bar da rua da casa dela. Só não contava com uma coisa... Vê-la.

O pulso dele acelerou, sentiu os nervos gritando e a adrenalina pulsando nas veias junto com o álcool, estava claro que ela não iria aceitá-lo de volta.. Ele só tinha uma única alternativa! Acelerou a motocicleta, largou todo o medo e decidiu entregar-se à morte junto com o amor da sua vida.

Mas, ela não estava pronta para morrer. Quando viu o seu antigo amor vindo em sua direção, ela não conseguiu reagir rapidamente, ele a pegou de raspão em um violento baque.. Sangue para todo lado.. Dor estampada nos rostos dos antigos amantes.. O horror em que assistiu à cena.. E os gritos da mulher em choque ao ver o seu 1 litro de açaí sendo derramado no asfalto quente, junto com o seu próprio sangue.

FIM.

P.S.: Eu sou péssima para terror, tanto para ler, quanto para escrever. Mas traduzi aqui o que pra mim seria um terror - Ser machucada por alguém que eu cheguei a considerar um amor e derramar 1 litro de açaí.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Me discorre o teu dia


Eu morri umas vezes no dia de hoje.

Eu não sei, apenas não sinto. Não respiro. Não sorrio. Eu não sou eu, eu sou eles. E eu não quero ser mais eles, eu quero ser eu, mas para ser eu, eles disseram que eu morreria na tentativa e eu não sei, mas tentarei. E se for essa a minha lição, eu só queria dizer que foi o que eu pedi há anos atrás. Pedi para ir, não fui. Voltei, e agora estou aqui. Não sozinho, mas vazio. Não vazio, mas sem sentido. Com sentindo, mas sem caminho. Com um caminho, mas não sei a reta dele.

Eu vivi. Eu quero viver.

Minha cabeça gira e meu rosto está molhado. Eu sou todo feito de amor, e com amor abraçarei a todos. Todos os meus lados são amor e de amor eu viverei. Eu sinto amor e o amor me fará vencer, para onde me levar, eu vencerei, com amor.

Ame.

Abrace.

Acolha.

O mundo é de todo sujo. Não seja mais um papel amassado.

Até mais, amado leitor.

segunda-feira, 12 de março de 2018

I ne vi ta vel. I ne vi ta vel?


É inevitável.

Tentamos fugir de tolices, mas de alguma forma nos deparamos com ela. Vejo em mim uma bomba que explode sempre que penso em ficar calmo. Minha bipolaridade não se contém, meus sentimentos são loucos eu sou louca. Eu sei que troquei de gênero nas frases, mas quem liga? Pelo menos ninguém deveria.

Minha cabeça não para e meus surtos continuam. Preciso parar, peço ajuda, mas no fundo eu sei que sou eu. Sei que só eu posso me parar. E vou. Vou encontrar em mim uma maneira de sair desse poço que eu mesmo me coloquei. Vou acordar, levantar e perceber o quanto eu posso.

É inevitável, mas eu posso.

Sou forte e capaz disso. Eu sou lindo, por fora e por dentro. E tenho potencial para chegar onde eu quiser. Pera ai... lembrei que esse é o meu lema. Minha ideologia real de vida.

Seu eu quero, eu posso. Se eu quero, eu consigo!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Mini .1


Nas estruturas de uma obra, em meio às telhas jogadas e aos restos de cimento, ela se escondeu com todas as forças. Escuro estava e os olhos marejados ninguém poderia perceber. Aquela maré ia se expandindo desde os íntimos do seu ser, fabricando uma peça preciosa, brilhante e transparente, um diamante moldado nos formatos de uma lágrima.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Nem era um poema, até ser


A menina tinha uma fita
Ela usava como um laço
Enrolava no cabelo e pronto
Se sentia a mais bonita

...

Ela mudou o uso
E começou a usar a fita para amarrar na cintura
Apertando pra esconder
Aquilo que chamavam gordura

...

Depois de tempos, a fita era
Mero adereço de decoração
Presa na porta do armário que continha

As roupas que nela não mais cabiam
...

A fita passou a ser evidência da polícia
Suja de sangue, marcada

Encontrada presa à uma escapula de rede
Segurando o corpo sem alma da menina.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017


As trevas que invadem-lhe o coração puro e cálido, nas noites mais frias e perdidas, são as mesmas que lhe clareiam a mente e lhe trazem a paz durante os dias mais quentes e claros.



sábado, 2 de dezembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 5: Inspire-se na sua música favorita.

Música tema: Hey girl – Lady Gaga ft. Florence Welch

Essa sociedade que promove a competição entre mulheres, a luta pra ser a mais bonita, a que tem a bunda maior, a que fica com “o macho”, tem nos jogado cada vez mais no chão. 

“Não pode ter estria, nem celulite”

“Tem que usar manequim 36, no máximo 38. Tamanho 40 já é gorda”

“Eu sou mais bonita que a atual do meu ex, né?”

Em meio a tudo isso, encontrar mulheres que estejam dispostas a apoiar uma a outra, a segurar-se quando tudo estiver revirando de baixo pra cima e de cima pra baixo, não tem preço. Aquela que estará lá te ouvindo, te abraçando e segurando as tuas lágrimas, dizendo que você NÃO PRECISA entrar nesse padrão de beleza! Mostrando que as estrias, ah, meu amor, elas parecem um céu marcado de nuvens, são lindas! Entendendo que entre o “gordo” e o “magro” o mais importante está em se sentir bem com as roupas que você veste, comendo aquilo que te faz feliz e não ligando para o julgamento dos outros! E o mais importante, mesmo que essa sociedade ridícula diga que não, estaremos aqui lado a lado, lutando e batendo de frente com eles, pois a sororidade, minhas queridas, é ela que vai nos ajudar a sermos mais fortes.

Mulheres sendo mais que amigas, irmãs.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Máscaras.

Aquelas que usamos para o baile de Carnaval, encobrindo nossas inseguranças e fingindo sermos outra pessoa por uma noite; ou aquelas que vestimos para contar uma mentira que, ao nosso ver, precisa ser contada para um bem maior; mas, principalmente aquelas que usamos todos os dias, para esconder, subjugar e tentar aniquilar tudo de ruim que há em nós. 


Ela é esguia, começa a aparecer em um dia triste, quando você não quer que as pessoas saibam que você está mal e então, você a veste. Ela fica tão boa em você.. E as pessoas, ah, ingênuas, elas acreditam na sua máscara.. Sem ter que dar explicações, sem desprezos e sem julgamentos. 

Mas, olhe de perto. 

Olhe atentamente para a máscara e em todas as partes dela você verá aquilo que as pessoas fingem não ver. Você verá um olhar que não contempla a felicidade da máscara, você verá pequenos sinais escondidos entre as mechas que insistem em tentar mantê-los secretos por mais tempo.. E, no fim de tudo, essa máscara não se expressa como mais uma casca vazia. Essa máscara de luz e brilho, só expressa um grito inexprimível de dor e medo sob quilos e quilos de purpurina.