terça-feira, 21 de abril de 2020

Uma saudade no meio de abril


Às vezes eu tenho a impressão de que a minha vida desandou depois que a professora Thelma foi embora.
Durante o meu terceiro ano de faculdade, eu conheci Thelma. Mas antes de falar dela, contextualizo meu terceiro ano: estava tudo um cu. Ansiedade gritando num nível muito hard, dores de cabeça terríveis, eu não conseguia me concentrar nem nas aulas que eu gostava, muito menos nas que eu odiava, tudo era muito cansativo e meu corpo só me pedia para parar...
Eu cheguei a ir na Coordenação para fazer o trancamento da minha matrícula, poucas pessoas sabem disso... Chegando lá, fui barrada porque o período de trancamento seria somente no final do semestre letivo... e tinha acabado de começar, então seriam belíssimos 5 meses pela frente aguentando aquilo, a coordenadora do setor conversou comigo e me deu um choque de realidade: Aquilo ali era o meu sonho, porque eu tava querendo desistir? Eu tava me auto-sabotando? Eu tava me impedindo de fazer o que eu gostava? É, ansiedade tem dessas coisas.
Tomei a decisão de continuar o semestre, tentar buscar ajuda em algum lugar (até voltar pra igreja eu cogitei) e, no final, passados os 5 meses eu iria avaliar de novo a situação e decidir se fazia o trancamento de matrícula ou não, sem saber que tanta coisa poderia acontecer em apenas 5 meses. A ajuda que eu tinha decidido buscar, eu encontrei dentro de um copo de vidro na mesa de um bar. Acho que esse foi um dos períodos que eu mais bebi em toda minha vida (até então) e assim comecei meu terceiro ano.
Eu conheci Thelma no finalzinho do meu segundo ano de faculdade, por causa de um grupo de amigos que eu amo muito (CATU <3), se eu me lembro bem, a primeira vez que conversamos foi em dezembro.. Ela é um anjo em forma de gente, professora de saúde mental, também formada em antropologia, decidiu fazer um atendimento com alguns alunos, um grupo de apoio universitário (ponto importante: ela era professora da UFPA e eu estudo na UEPA). Iniciativa incrível, mas, ela precisava fazer um teste antes, pra ver se suas ideias dariam certo, então selecionou à dedo alguns alunos que ela sabia que tinham dificuldades relacionadas à saúde mental, ansiedade, depressão, etc. para fazer esse experimento. Um deles sabia como eu tava fodida mentalmente, conversou com ela e pediu pra uma intrusa da UEPA participar e desse modo estava eu, num sábado de dezembro aparecendo na casa dela.
O grupo se reunia todo sábado, por cerca de 4h de tempo, a gente fazia algumas atividades, conversava e comia muito, às vezes eu sinto que Thelma queria ganhar a gente pela barriga hahahah. Enfim, nas primeiras semanas eu relutei muito, eram 2 encontros por mês e eu só ia em um, ou em nenhum, a tal da auto-sabotagem mesmo, já que eu me sentia muito bem quando estava lá com ela e até hoje não entendo como eu conseguia faltar para ficar deitada em casa.
Passadas algumas semanas depois da minha tentativa frustrada de trancar o curso, alguns dias de muita bebedeira, eu fui para um encontro do grupo experimental num sábado à tarde. Ela trouxe uma atividade pra gente fazer em que espalhou várias imagens no chão e a gente precisava escolher qual imagem se identificava mais, peguei um recorte de uma revista que aparecia um hambúrguer. A atividade envolvia bastante coisa e depois de muita conversa entre o grupo (que contava com 6 à 7 pessoas, mais ou menos) eu cheguei à uma conclusão: Eu tinha um seríssimo problema de aplicar toda minha carga emocional em vícios. Às vezes era o álcool, às vezes era comida, às vezes eram horas de estudo intenso. Seja o que fosse, eu entrava numa espiral de vício que não conseguia sair e só aquele vício me mantinha de pé.
Os encontros aos sábados com ela me fizeram conhecer coisas de mim que eu nem imaginava, me fizeram entender que o sentido da vida é não ter sentido mesmo e que a gente pode enlouquecer tentando organizar isso ou apenas aprender à viver com essa realidade. A gente falava de saúde mental, a gente falava de Deus às vezes (quando o grupo concordava, é claro), mas, principalmente, a gente falava de amor. Ao final dos 5 meses do semestre, eu nem cogitei mais trancar o curso, quando eu digo que Thelma me salvou, falo pra valer.
Depois de um relacionamento bem dolorido, de tantas mágoas, de tantos vícios, eu achava que não poderia mais amar ninguém, incluindo a mim mesma, mas esses sábados me mostraram que ainda existia muita vida pra viver. Aquele casulo que eu fechei sob o meu próprio corpo e coração na tentativa de me proteger dos baques que a vida poderia me dar ainda, eu aprendi com ela que era um erro. Apanhar da vida é necessário pra gente aprender a viver. Meu terceiro ano foi salvo porque eu apanhei da vida, mas aprendi com ela.
Num determinado momento, Thelma nos deu a notícia de que iria embora de Belém para cuidar dos pais, no Paraná, já tinha dado entrada na aposentadoria e estava organizando tudo. Meu coração apertou um pouco e eu pensei seriamente em prender ela numa caixinha aqui na cidade das mangueiras (brincadeira kkk). No fundo, no fundo, eu senti que estava pronta pra encarar o mundo, pra amar de novo, pra apanhar de novo e mesmo assim, continuar feliz. Thelma me ensinou a ser feliz de novo e eu nunca vou ter palavras pra agradecer por tudo que ela fez por mim e por meus amigos...
Levantei às 04:02, em abril de 2020, um ano depois que Thelma foi embora, porque sonhei com ela e meu coração apertou de saudade. Às vezes eu tenho a impressão de que a minha vida desandou depois que a professora Thelma foi embora... Mas, na verdade, a minha vida mudou pra melhor depois que a conheci e hoje eu sou uma Eliza diferente, por causa dela. Estou com saudades, mas, estou grata também.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Oceanos e piscinas


Outro dia eu fui contar para alguns amigos sobre uma situação romântica que não tava dando certo e uma delas me presenteou com uma metáfora maravilhosa sobre relacionamentos, pessoas, intensidade, juntos e shallow now.
Ela me disse que certas pessoas são como oceanos: profundas e gigantes. E simplesmente algumas pessoas não estão dispostas a nadar em algo tão grande quanto um oceano, preferem ficar no raso, naquilo que lhe é seguro, do que nadar em alto-mar. Existem, também, outras pessoas que são piscinas, que dá pra nadar com segurança, são rasas e o risco de acidentes é bem menor.
É importante ressaltar que tanto as pessoas oceano, quanto as pessoas piscina, são maravilhosas em suas particularidades. Mas, o oceano é misterioso e nem sempre tu sabe o que vai encontrar lá; como as piscinas são rasas, é muito fácil de enxergar o fundo e sentir uma segurança maior, você só mergulha se quiser, não tem ondas para te afogar e você pode sair fácil, sempre que quiser.
Por isso, muitas pessoas preferem piscinas... É mais simples, sabe? Mesmo quando estão sujas, cheias de lodo ou abarrotadas de gente lutando por um espacinho dentro delas, ainda assim, elas são mais fáceis, por se tratar de uma situação que você pode controlar, ter algum tipo de poder e cair fora assim que algo não te agradar.
Quando tu estás no oceano é bem diferente... Ele pode ser incontrolável, te fazer apanhar a cada onda que joga em cima de ti, porém, se você mergulhar, fica totalmente protegido da onda e ainda tem um bônus: vai poder enxergar toda a maravilha que aquela vastidão azul guarda.
O oceano é mistério, porque tudo que ele contém é muito precioso, é tesouro guardado a sete chaves – ou sete ondas – e é preciso muito mais do que um nado superficial para enxergar isso, da mesma forma que é difícil enxergar, também é complicado sair dele, você se prende na aventura e na descoberta de mil coisas a cada segundo.
Hoje, eu sei que sou uma pessoa oceano e lido com as dificuldades de ser vastidão diariamente. Aprendendo com a loucura de ser imensidão e com a solidão, também.  Sei do medo que as pessoas têm ao olhar para as minhas profundezas, da insegurança e a vontade de sair correndo pra longe, mas sigo na calmaria e na fé de que, um dia, alguém irá mergulhar... E irá gostar da vista.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Eu sou uma pessoa disponível.


Às vezes eu acho que esse é o problema de todos os relacionamentos que eu já tive e que deram errado. Para todos os momentos, para cada ideia doida, para cada “oi sumida” eu me coloquei à disponibilidade... Mudei agenda, cancelei compromissos, larguei outros amigos de lado e estava lá, à disposição da pessoa para que ela fizesse o que quisesse comigo.

E hoje, analisando a letra de “If I were a boy” da Beyoncé, ela fala um pouco sobre isso, quando diz que o macho faz absolutamente o que quer, porque ele sabe que a mulher dele tá “garantida”, porque ela era disponível, estava lá e fazia o que ele queria.

Somos ensinadas desde pequenas que se a gente ficar sozinha, ou sem a presença de um homem nas nossas vidas, nós seremos infelizes e por muito tempo eu acreditei nisso fielmente. Que eu só seria feliz quando casasse com um macho, constituísse família, com um emprego e estabilidade financeira: a vida perfeita.

Mas a questão é que isso nos torna dependentes emocionalmente da ideia de um ser masculino que vai nos tirar todos os problemas, digno de um conto de fadas da Disney, tal qual o príncipe da Cinderela. E a gente procura esse macho em cada relacionamento, em cada pessoa que passa pelas nossas vidas e imaginem vocês a frustração de descobrir que o príncipe não existe e que se a gente não bancar a Moana e se salvar sozinha, vamos ser arrastadas pelo mar a qualquer momento.

A frustração não está em se salvar sozinha. Longe disso. Ela está nas falas de cada mãe, madrinha, avó, tia, prima, irmã que é infeliz nos seus casamentos, mas continua perpetuando a ideia de que seriam infinitamente mais infelizes se não tivessem casado com o tal macho. É isso que dói, o julgamento vindo por parte daquelas que mais amamos e que mais vemos sofrer (tapas, hematomas, violência material, verbal, puta, vadia). É nessas que a nossa luta chega de forma distorcida e acabamos descontando aquilo que elas APENAS foram ensinadas a repetir.

Que sejamos Moana’s, que busquemos a nossa voz para fugir dessa dependência emocional, que não estejamos mais 100% disponíveis para os outros e nunca para nós mesmas, que aprendamos a não mais repetir o que os outros dizem e sim construir nossos próprios pensamentos e falas, mas, principalmente, que a gente pare de culpabilizar as nossas e comece a direcionar nossa luta para os verdadeiros culpados de tudo.

Eu sei que eu sou disponível. Sempre fui. E dificilmente vou deixar de ser. Mas, é hora de aprender a ser disponível para quem também é disponível pra mim, a tal da reciprocidade, né?!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Cartas de Liandra - 4

Querido Mr. Jiraiya,

Eu sinto sua falta. Ainda não consigo te escrever uma carta decente e madura sobre tudo o que nós passamos ou poderíamos ter passado, nem mesmo sobre o que ocorreu depois do nosso término, porque ainda dói muito... Eu sei que hoje você segue uma vida completamente diferente do que era antes, mas eu não te conheço mais e isso machuca mais do que eu imaginava, te perder assim, de mim, foi complicado.

O futuro que a gente construiu juntos com tanto empenho, tanto planejamento e organização, foi quebrado por uma verdade fortíssima: Egoísmo. Eu fui tão egoísta a ponto de tentar construir um mundo sozinha e não te deixar trazer as tuas próprias convicções e vontades pra dentro dele, porque queria que fosse tudo perfeito à minha vontade. Mas, o mundo não é tão perfeito assim...

O mundo chacoalha, enlouquece, revira e volta aos eixos em cerca de segundos, minutos e a gente nem sempre tá preparado pra isso. Eu senti isso, essa reviravolta, quando eu me apaixonei por você (e pra deixar claro, eu só me apaixonei por você muito tempo depois de você já estar apaixonado por mim..) e acho que nunca mais consegui sentir algo tão forte por alguém depois disso.

Nós temos conflitos inacabados, coisas que ficaram desconectadas e bagunçadas e eu espero muito que, um dia, a gente sente ali na estação das docas, beba um chopp vendo o pôr do sol e converse sobre tudo isso, uma puta psicoterapia. Eu não sei exatamente se isso vai acontecer um dia, mas, eu espero que sim. Ainda não tô pronta pra terminar essa carta.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

30 days writing challenge - Dia 7: Um lugar que exista apenas na sua mente

O piso de madeira parecia meio oscilante, pisei com calma, um passo de cada vez e naquele instante eu percebi que sim, essa era a casa que eu ia comprar.

Sonhei com ela uma vez e não se parece com nenhuma casa que eu já tenha visitado antes, tem o meu toque de loucura em cada cômodo. A fachada dela é azul, mas um tom de azul bem chamativo, com um portão amarelo, tem apenas o andar térreo, porque eu não suporto subir escadas... Ao entrar pelo portão, você se depara com uma passagem de jardim até a porta da casa, nela há pequenas imagens de porcelana entre as plantas, representando histórias da mitologia grega, mini-minotauro, uma medusinha, sátiros e ciclopes. 

O piso da casa é de madeira, ao chegar na sala range um pouquinho, mas tudo certo, tem um lindo sofá em formato de L, azul, da mesma cor da fachada da casa, pendurei os quadros d'A bailarina dentro da Tulipa, O casal robótico e Wakanda Forever, um em cada parede, que a propósito tem 3 paredes brancas e um desenho na quarta parede (sabe aquela imagem do sol nascendo em Rei Leão? Quando toca a música tema do filme e tudo está em tons de laranjado e preto? Pois é, essa imagem). 

Saindo da sala há um corredor enorme com 6 portas, uma amarela, uma verde, uma azul, uma vermelha, uma branca e uma preta. A porta amarela leva a um banheiro lindão, inspirado na paleta de cores do instagram da Bruna Vieira. A porta verde leva ao meu quarto, as paredes são feitas de pedra cinza, com um ar mais rústico e tem pequenos quadros de borda preta representando tudo que eu mais amo (uma foto da família reunida, uma foto do chalé 7, uma foto da sonserina e uma foto de uma tigela de açaí). A porta azul é o quarto das crianças, é o maior cômodo da casa, pra poder abrigar todos os 3 bebês confortavelmente, as paredes são multicolor, eles que pintaram mesmo, com giz de cera e canetas coloridas. A porta vermelha abriga um espaço de Terapias Alternativas particular, com colchonetes, luz azul no teto, uma maca pra massagens e outros materiaizinhos em um pequeno armário. A porta branca é um quarto de hospédes equipado com o que um visitante possa precisar. Por fim, a minha favorita, a porta preta, dentro dela há uma enorme biblioteca contendo todos os meus grandes amores que reuni até aqui: Rick Riordan, J.K. Rowling, Oscar Wilde e a lista é imensa... Aqui, mergulho em um mar de sonhos dentro de cada página que visito e todas às vezes que retorno à paginas já conhecidas eu me deparo com coisas novas, é inebriante. 

Há, ainda, uma cozinha que se estende pelo outro lado da sala e que dá vida a todo o sonho de saber cozinhar que existe em mim e nunca se concretizou, continuo queimando até água. No quintal, uma piscina de plástico alimenta a brincadeira das crianças e as tardes de domingo ensolaradas. Imaginei tudo, nos mínimos detalhes, do que para mim poderia ser um lar a ser construído, sendo sozinha ou com alguém ao meu lado, não importa. Em tese, pode ser muito difícil transformar tudo isso para uma realidade física, por isso, comecei a construi-la dentro de mim, todas as portas e caminhos, detalhes de amor e cuidado, cores e referências, tudo posto em uma única pessoa, como já dizia Ekena: Eu sou meu próprio lar. 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Efeito borboleta

A pouco tempo eu descobri uma das causas da minha recente dificuldade em me relacionar sexualmente com outra pessoa (tô sentindo esse dificuldade há alguns meses). Foi uma descoberta que me deixou chocada e perturbada sobre como as relações humanas podem afetar o nosso psicológico de uma tal forma que a gente nem se percebe. 

Eu tive um relacionamento difícil, há um tempo atrás. A pessoa que eu estava junto era relativamente fria (sexualmente falando, inclusive) e aos que me conhecem podem confirmar, eu sou uma pessoa completamente oposta de "fria". Sem toque, sem beijos voluptuosos, sem demonstrações de desejo e sem realização de fantasias. Ao invés de evoluir enquanto pessoa dentro do relacionamento, eu decaí. Isso afetou tanto o meu psicológico que comecei a acreditar que eu não era atraente, que não poderia ser sensual ou que meu corpo não era tão bonito como as pessoas diziam e isso já vem acontecendo tem mais ou menos um ano. Em outubro de 2017 eu terminei o namoro e em um espaço de tempo de uma semana transei com 4 pessoas (sendo 2 ménages), a partir daí eu não consegui mais ter nenhum envolvimento sexual com absolutamente ninguém. 

E acreditem, eu tentei... Usei o máximo de artifícios dos quais a minha mente dispunha pra convencer a mim mesma de que estava tudo bem em fazer sexo, fiz pesquisas pra embasar, conversei com amigos experientes, peguei dicas, assisti pornô, mas não adiantou. Cheguei a um ponto de ficar bêbada pra reunir coragem suficiente pra convidar alguém pra uma trepada sem compromisso (no caso, eu só conseguia convidar quando estávamos em uma situação impossível da pessoa aceitar, ou seja, minha mente conseguiu burlar até isso). E não é falta de tesão, porque isso eu tenho até estourar o olho do cu. 

Não sei bem se é insegurança, medo, aflição, ou tudo isso junto, mas, a verdade nua e crua: Eliza não consegue transar, nem mesmo chegar em preliminares. E isso me derruba de uma tal forma... Toda a tensão sexual fica acumulada e eu preciso liberar de algum jeito... Álcool, comida, dança e projetos que enchem minha vida, mente, corpo e alma, tudo pra evitar pensar em uma coisa, o sexo não feito. Isso eu não desejaria nem pra um inimigo. Porque, sabem, a sexualidade faz parte da humanidade e eu que a tive tanto antigamente, hoje não conseguindo colocar pra fora, me faz sentir como um balão preste a estourar no meio de uma sala, sem avisos, a qualquer momento. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

SEGREDOS

Em momentos incomuns da vida cotidiana, é comum encontrarmos pequenas coisas dentro de nós que nos enojam. Coisas que fazemos, mas que são consideradas estranhas pelas pessoas, por isso as chamamos de estranhas e tentamos escondê-las de todo mundo, inclusive de nós mesmos. 

Vou dar um exemplo: Hoje, eu percebi uma coisa em mim que me deixou enojada. Eu precisei assistir pornografia pra conseguir um pouco de excitação na masturbação. Mas não qualquer pornografia... Gangbang. Sabem o que significa essa palavra? Peguei na wikipédia: É caracterizado por cenas de sexo entre uma pessoa e várias pessoas diferentes em um curto espaço de tempo. Ok, seria mais um tipo de pornô, certo? Porém, eles usam essa definição e aplicam em casos que imitam a realidade, como sexo grupal e estupros coletivos. Ao terminar, senti nojo. Mas me dei conta de que já fiz a mesma coisa tantas outras vezes, sempre senti o mesmo nojo ao final, pegava a sensação e escondia em um baú no fundo da mente, pra não parecer para outras pessoas que eu sentia nojo de mim mesma.

É, amigos.. A gente pode até tentar se encaixar nos padrões que a sociedade molda e às vezes nem é culpa nossa.. Mas, somos estranhos. Todos nós. E pelo fato de não admitirmos nossas estranhezas, quando um de nós o faz, é taxado de estranho.
Mundo
Doido &
Doente.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Cartas de Liandra - 3

Prezado Mr. Rosa,

Eu ainda te vejo todos os dias nas minhas redes sociais. Vejo teu sorriso largo, tua felicidade, teus ganhos e perdas. Eu ainda falo contigo, troco mensagens e digo 'Boa noite' ao fim da conversa. Quando te encontro pelos corredores, ainda falo contigo e te dou abraços apertados. Como bons amigos o fazem, hoje em dia.

Mas, é engraçado que sempre tem um "mas", né? Em toda história.

Esse "Mas" reapresenta a adversidade do que eu sinto por ti. Te amei tanto que nem deixei de amar, o sentimento continua sendo regado por uma chuva insistente dentro do meu coração maluco, que me faz pensar em ti e em tudo que tu me fez sentir... E aí tu me perguntas "cadê a adversidade, Liandra?" Pois é, junto com o amor, também criei uma mudinha de rancor, instalada no dito coração maluco.

O rancor, sabe, é um sentimento perigoso e traiçoeiro. Ele te leva a guardar mágoas por uma pessoa, mesmo que sejam bem escondidas. Te faz temer o outro, como se todos fossem iguais ao que te fez mal. Te faz se isolar e se prender em si mesmo, pra evitar que as pessoas se aproximem novamente. Porque tudo que tu queres, é não ter o coração machucado de novo.

E de ti, Rosa, tenho tanto rancor quanto tenho de amor. Por todos os momentos incríveis juntos, amor. Por ter me largado por uma qualquer, rancor. Pela comida, os filmes, as brincadeiras, amor. Pelo momento em que a beijastes na frente de todos, sem nunca ter terminado comigo, rancor. Eles sobrevivem dentro de mim, um sentimento enganchado no outro... Meu grande sonho era que um dia, eles se envenenassem tanto ao ponto de sumir e te levar junto, mas meio difícil, já que não moras mais em mim.

Eu vou continuar te vendo e te desejando "Boa noites". Vou continuar te abraçando pelos corredores. Porque amigos o fazem. Mas, não se engane, se eu pudesse bloquea-lo da minha frente, para deixar meu coração se curar... Já teria feito há muito tempo.

Até logo, Rosa.

domingo, 29 de abril de 2018

Lembranças

Hoje ela acordou lembrando do carinho na bunda que Mariana lhe fazia todas as manhãs. Dos beijos molhados e dos tapas descarados. O sexo incrível misturado com o aroma de café quente pela manhã era uma das suas partes favoritas. A forma como seus corpos se encaixavam a faziam ir a loucura pensando em mil formas de se entregarem prazer. Mas hoje ela acordou sozinha, apenas lembrando.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Cartas de Liandra - 2

Giulio,

Tu chegou na minha vida como um tsunami. Rápido, gritante, espalhafatoso e destruidor. Eu não esperava por ti e decididamente não achava que tu me farias sentir tudo aquilo. Foi assustador e ao mesmo tempo muito excitante. Eu sempre queria mais de ti e o mais engraçado é que tu nunca me dava esse mais. Sempre fazia o mesmo e eu agonizava nas minhas poças de expectativa, aguardando o momento em que tu apareceria e me faria tua.

O momento nunca chegou, é claro, mas o grande erro estava em mim, eu que coloquei estas expectativas no nível mais alto, eu que sempre esperava mais quando tu não me davas indício nenhum de que o "mais" um dia viria, ou seja, sempre fui eu, em meus devaneios, que criei uma imagem de ti que não era real. 

E durante muito tempo eu te culpei... Pelo relacionamento não ter dado certo, pelas nossas características não baterem e por tu não fazer jus às minhas expectativas. Eu te culpei por tudo de errado que eu estava fazendo. Eu fui tola. Ingênua. Estúpida. 

Um dia, espero que a gente consiga conversar sobre tudo isso pessoalmente, como adultos, pra eu poder me desculpar pelo que fiz e te dizer que o teu jeito de ser não precisa ser completamente modificado para estar com outra pessoa, mais bonito seria encontrar com alguém que se encaixe contigo. Porque o encaixe é muito mais delicioso do que o ajuste.

Até a vista.