segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Crônicas de uma agenda (3)

Eram duas meninas sentadas nas cadeiras daquela estação. Uma de cabelos castanhos, outra de cabelos vermelhos. A de cabelos vermelhos falava e a outra apenas escutava. A que escutava, estava vidrada, os olhos fixos na outra, a boca fechada em uma linha fina, as mãos cruzadas e firmes sobre a mesa passando uma sensação de calmaria, mas ela estava tremendo mais do que se ela estivesse em um frio de 0°C. A que falava estava nervosa, visivelmente, as pernas inquietas balançavam em baixo da mesa, as mãos torciam os dedos e a cada dez segundos ela movia uma mecha do cabelo para trás da orelha.

E de repente, eu a vi. Ela era límpida, transparente, muito fina e difícil de enxergar de longe, mas eu consegui mesmo assim perceber aquela lágrima escorrendo pelo rosto da garota de cabelos vermelhos. Não pude contar a minha curiosidade e continuei a observa-las. A parte mais interessante, contudo, foi o que ocorreu depois.

As lágrimas secaram. A linha fina dos lábios da moça de cabelos castanhos se transformou em um grande sorriso. A inquietação das pernas da moça de cabelos vermelhos parou. E assim, tão simples quanto o sol que se punha naquele momento, elas se beijavam apaixonadamente e eu, humilde observador do espaço, pude enfim, acreditar no amor novamente, porque eu o vi naquele momento estampado no rosto das duas moças da estação.

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