sexta-feira, 23 de junho de 2017

Crônica parisiense

Era um simples banco de madeira vermelha, com pés de ferro e braços quebrados, nada mais. Mas, era o meu banco de madeira vermelha. Todos os dias, às cinco da tarde, eu sento naquele banco, uma xícara de chá verde ao lado, comprada na cafeteria em frente à praça e um livro surrado nas mãos. O mesmo livro de sempre, no qual a história se passa na mesma cidade onde estou.

Vejo várias pessoas passando por ali todos os dias. Um menino correndo atrás de uma bola, um homem apressado com uma pasta nas mãos, uma turista tirando fotos da enorme torre, um casal de mãos dadas apreciando a paisagem e é isso que prende minha atenção.

As mãos juntas como se não fossem mais soltar, o andar preguiçoso como se houvesse tempo para tudo, o modo lento que os lábios se moviam soltando as palavras no ar e, por fim, um beijo na ponta do nariz e um sorriso aberto, traduzindo um leve recado.. “Eu vou te proteger”. Para mim estava claro, eles se casariam dali há algum tempo, teriam uma linda casa com varanda em frente a um campo de flores e três crianças saudáveis. Quando os filhos já estivessem crescidos, eles poderiam descansar e morreriam juntos. Mas, seu amor não iria morrer, continuaria vivo no coração de filhos e netos. E no meu também. Foi o que eu desejei a eles dois, porque todo mundo merece um amor pra vida inteira.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Curso temporal

Sabe, a vida ama a morte; a vida corre para a morte de braços abertos e sorriso no rosto, o grande problema é que ela nos leva junto nessa corrente do tempo. Nadando de peito, borboleta, flutuando, ou sendo puxados, somos sempre levados a ela.

Porém, existem instantes, pequenos momentos, os quais para a vida e a morte duram um segundo, mas, para nós levam horas, dias, meses e anos, nestes instantes minúsculos, podemos parar e refletir para qual direção seguir, podemos tentar escolher o curso temporal do nosso próprio rio... Mas, tudo não passa de uma ilusão, um falso pensamento de que temos poder de decisão no destino, quando na verdade, o curso temporal é único.

Pense, sim, mas não na direção do rio - apenas aceite-o da forma que vier -  pense em quem vai estar ao seu lado nesse curso temporal, isso você pode escolher! Quem vai estar contigo nadando de peito, borboleta, flutuando, ou sendo puxados pela corrente do rio, é um dos pontos mais importantes da jornada.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Pré - conceito

Todos os dias algumas pessoas pensam em tirar a própria vida. É incrível a capacidade que elas têm de se segurar e desistir da ideia, quando boa parte do mundo as julga e tenta quebrar seu espírito. Seria muito mais fácil desistir de tudo e acabar com aquilo que eles chamam de vida miserável, não? Seria muito melhor tirar esse espírito maligno do mundo e fazer dele um lugar melhor, sem a sua presença, não? Seria uma boa ideia, não? Se não fosse baseada em tanto medo, opressão, preconceito e ódio, essa ideia nem existiria.
Eu tenho uma proposta pra você que está lendo isso agora, vou te fazer algumas perguntas, mas quero que você pense muito bem antes de responder, ok? Vamo lá.

     1. Como seria se alguém chegasse com você e dissesse que seus olhos são castanhos porque você escolheu assim?
      2. Como você agiria se te dissessem que você pode mudar a cor dos seus olhos castanhos só com a força de vontade?
     3. Agora imagine que outras pessoas te dizem que os seus olhos castanhos são uma cor nojenta, desagradável e que você deve tentar mais arduamente mudar de cor, que você precisa de mais empenho pra fazer essa mudança logo.
     4. E então, se outra pessoa chegasse com você e dissesse que ter olhos castanhos é ser uma aberração da natureza e que você iria para o Inferno por isso, como você se sentiria?

São perguntas simples, que podem te causar uma pequena confusão, mas são fáceis de responder. Seria estranho, seria invasivo, talvez até alguém pense em “impossível mudar isso, eu já nasci assim”, “não posso ir para o Inferno por causa de uma característica que me faz ser quem eu sou”. Então, eu te pergunto, porque é tão difícil aceitar que uma pessoa é gay porque ela nasceu assim? Ela não pode mudar isso, ela não quer mudar isso, porque isso faz dela, ela mesma. Ela não pode “ir para o inferno” simplesmente por amar outra pessoa do mesmo sexo que ela.
O que vejo no mundo, hoje, é que falta mais amor. Falta mais empatia e compaixão. As pessoas pensam no que o outro tem de “errado” e esquece-se de prestar atenção no quanto aquele ser humano pode sofrer com aquilo... “Ame ao próximo como a ti mesmo”, cansei de ouvir essa frase sendo ecoada da boca de pessoas que dizem que homossexuais devem ir para o Inferno, chega de hipocrisia, meus queridxs, chega de ódio, chega de opressão, vocês não acham que já está na hora de propagar mais amor e solidariedade, acima de tudo? Vocês não acham que tantas mortes seriam evitadas se as pessoas fossem respeitadas por aquilo que elas são? Você que está lendo isso, pensa bem no quanto o mundo poderia ser diferente se ao invés de olhar e julgar o outro com base nas pessoas que ele ama, nós passássemos a amar mais os que estão ao nosso redor e dar atenção e essas pessoas... Ah, que sonho.
Quanto a você, que se encaixa na descrição anterior... Que pensa em tirar a própria vida... Que sente que o mundo te odeia por ser quem você é... Eu te digo que existem muitos aqui que não te odeiam, pelo contrário, pessoas que estão aqui pra te ver bem, pessoas que te amam, pessoas que lutam para que você possa viver em um mundo melhor, pessoas que jamais vão te dizer que é errado você amar alguém, pessoas que vão olhar nos seus olhos, segurar a sua mão e dizer: As lágrimas de tristeza que você derrama hoje por culpa dessa opressão, serão as lágrimas de felicidade que derramarás amanhã, quando você puder amar quem você quiser amar, sem medo ou culpa, mas tudo isso só vai ser possível com luta, com força, com união.
Não precisa ser gay pra se solidarizar com a causa, não precisa ser lésbica pra lutar por um mundo que tenha mais amor... Não precisa que uma trans morra espancada, pra que seja feito um textão sobre a importância da vida. Só é preciso que as pessoas entendam que ser LGBTQ+ não é motivo pra ter uma vida miserável e que respeitem todas as formas de amor, porque elas valem muito mais do que o ódio, elas podem, sim, transformar esse mundo caótico em um bom lugar pra se viver.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Falsidade

Sinceramente, não sei o que aconteceu com o estado de espírito alegre e efusivo que eu tinha dois anos atrás... A vontade de viver, ser feliz e criar bolhas de emoção todos os dias, junto com o prazer de simplesmente acordar e sorrir pra vida. Acho que depois de decepções seguidas a gente adquire imunidade à felicidade.
Hoje, eu acordo e vivo, crio bolhas de emoção, mostro a minha felicidade para o mundo, o problema é que essa felicidade não é minha. Eu roubo de alguém, ponho no meu rosto e mostro pras pessoas como se me pertencesse, faço com que ela pareça natural e isso já vem ocorrendo a tanto tempo que não sei mais como não fazer... Um rosto falso. Uma felicidade falsa. Tudo é falso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Hoje eu chorei no meio do banho.

Não foi um choro estridente, com grandes lágrimas rolando, socos nas paredes e gritos que fariam os vizinhos questionarem a qualidade do cuidado oferecido aos jovens naquela casa. Foi o choro mais silencioso da minha vida, as lágrimas caiam como se não fossem de ninguém, lavei os cabelos normalmente, sem espasmos de sofrimento e vontade de socar paredes, acho que ando cansada demais para chorar direito.


Saí do banho e parei na frente do espelho por alguns minutos - que eu não lembro de ter contado. Parei, não conseguia mais pensar, apenas parei e olhei o semblante de alguém que estava cansado demais para chorar direito. Não havia emoção naquele rosto, não lembrava como eu era sem o sorriso falso de todo dia. Não vi alguém forte, eu me vi. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

The boy on the pink shirt.

Conheci um garoto e ele é um poço de problemas ambulante. Não lembro bem como foi a primeira vez que nos falamos, não foi amor à primeira vista e eu não estava interessada em um relacionamento, naquele momento. Mas, estranhamente, nos demos muito bem e logo chama-lo de “meu” se tornou uma rotina. Só que ainda não o tive de verdade...

Todas as tardes eu o via, abraçava, cheirava e me enroscava no crescimento da nossa amizade, como uma tenia no intestino. Não me julgue mal, não estou dizendo que isso é uma doença, mas sou péssima com analogias.

Eu tentei em vão me esconder do que aconteceria, fugi o máximo que pude, mas adivinha só: Aconteceu no momento mais inesperado. Um dia eu cheguei na sala de aula, ele estava lá, sentado, despreocupadamente, com aquela clássica camisa rosa, uma garrafa de água nas mãos e gargalhando de alguma brincadeira dos nossos amigos. Naquele momento, parada na porta, ele olhou pra mim rindo e eu senti a pulsação acelerar, fiquei nervosa e corei, tudo em uma questão de microssegundos. Quando eu menos previ, percebi que o queria, não só de forma carnal e momentânea, queria sentir o seu toque sob mim, a pele na minha, mostrar a ele o quanto alguém poderia ama-lo e que esse alguém seria eu...

sábado, 17 de setembro de 2016

Um desastre de proporções faraônicas

Uma pausa para uma reflexão da vida. Um minuto para desobstruir os pensamentos. É tudo o que é necessário para causar um grande problema. Vovó sempre dizia “Cabeça vazia, é oficina do diabo” e eu concordo, mas para fazer funcionar a oficina, é preciso ter ferramentas e um trabalho final completo.
A oficina: Era redonda, se bem me lembro, com um aspecto multitarefas, fria e toda colorida em tons de cinza. Os sentimentos foram todos organizados por ordem alfabética em uma prateleira preta – eu tenho uma séria mania de organização – no fundinho mais escondido da sala, para ninguém ver mesmo. Haviam quatro mesas pelo meio e tantas prateleiras nas paredes, cada uma com projetos específicos de camadas diferentes da minha fachada.
As ferramentas: Eram quatro mesas. Na primeira coloquei o projeto álcool, como usar a cachaça para me fazer fugir da realidade e esquecer de todos os problemas que me jogavam no chão a cada dia. Na segunda mesa coloquei o projeto festas, as noites com luzes psicodélicas e música estrondeante que não deixavam espaço para que eu refletisse ou ao menos pensasse com clareza, era tudo baderna. Na terceira mesa veio o projeto vestibular, uma necessidade quase essencial de passar no curso mais concorrido de todos, para o qual precisaria da nota mais alta possível. A quarta e última mesa.. O projeto escudo. Esse, particularmente, deu bastante trabalho. Montar uma proteção eficiente para que imaginassem que o meu eu verdadeiro era um banho de álcool, bocas aleatórias e festas intermináveis, sem perceber os sentimentos organizados na maldita prateleira preta.
O projeto final: Um desastre. Decepções, perdas, choros descontrolados, amor sufocado, a raiva foi um efeito colateral e o medo de ser descoberta era constante nas horas de desespero.
Tudo foi por água a baixo por causa dele.
À passos de tartaruga ele chegou, uma frase aqui, um abraço ali
Meu escudo foi caindo aos poucos..
Um beijo e a sua preocupação se estendeu por todo o meu ser
O escudo rachou mais..
Os projetos são falhos, ele dizia, estou aqui
A música alta não me deixou ouvi-lo desistir
Encontro uma declaração e todo e qualquer projeto cai por terra
Não desista, eu digo, sou sua.
Seja meu maior e melhor projeto.

Um brigadeiro ontem, um doce de morango hoje, meu coração amanhã. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Conto I - "Que o mundo pare."

" [...] O som esta no ultimo volume, ele sabe o poder dessa musica em mim, ela toca enquanto ele me beija. Esse beijo, esses braços em volta de mim, não consigo respirar. Minhas pernas crusadas sobre a cintura dele, agora ele segura dmeu pescoço com suas mãos, aquelas que quando me toca, me arrepia. O que esse homem tem? Por que me sinto tao seguro nos seus braços? Por que mesmo sem respirar não consigo parar de beija-lo? Esses labios percorrendo os meus e depois meu rosto. Não consigo abrir meus olhos. Nesse momento o mundo parou! Nao quero que termine, nunca mais.
Percorro minhas mãos nas suas costas. Esse homem... é meu. De mais ninguem, apenas meu. Passo uma das maos para sua nuca e ele no meio do beijo me surpreende... "Eu te amo" ele diz. Meus olhos lacrimejam... eu o olho paralizado e repito suas palavras "Eu te amo". E ele volta a me beijar com mais intensidade. O tempo para e ficamos ali. Nos enrrolando. Nos amando. Que isso nunca termine... nunca termine. [...]"



- Poeta Sujo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

DIA DO ANIVERSARIO - DIA 06



O nascido no dia seis é normalmente sentimental, muito equilibrado, compreensivo, adora a família, a casa, os amigos, os filhos (se os tiver) e é também excelente amante. Tem personalidade magnética e atrai sempre as atenções:
em festas, reuniões, cursos, etc. Profissionalmente sente-se realizado numa posição superior, onde pode contribuir para o desenvolvimento da empresa, das coisas e principalmente das pessoas envolvidas. É perseverante e luta até o fim para atingir seus objetivos. Como é altamente sensível, quando contrariado, ou
quando as coisas não correm como quer, pode-se tornar ciumento, nervoso e demonstrar possessividade, levando-o a ter atitudes enérgicas para defender seus princípios ideológicos. No tocante às frustrações amorosas, estas lhe causam quase sempre complicações nervosas e problemas ósseos. Será excelente profissional no setor social (trabalhar com idosos, crianças, deficientes físicos ou mentais), em áreas esotéricas e religiosas, como professor, decorador, cozinheiro, ou tratando de embelezar o planeta.