sábado, 24 de fevereiro de 2018

Mini .1


Nas estruturas de uma obra, em meio às telhas jogadas e aos restos de cimento, ela se escondeu com todas as forças. Escuro estava e os olhos marejados ninguém poderia perceber. Aquela maré ia se expandindo desde os íntimos do seu ser, fabricando uma peça preciosa, brilhante e transparente, um diamante moldado nos formatos de uma lágrima.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Nem era um poema, até ser


A menina tinha uma fita
Ela usava como um laço
Enrolava no cabelo e pronto
Se sentia a mais bonita

...

Ela mudou o uso
E começou a usar a fita para amarrar na cintura
Apertando pra esconder
Aquilo que chamavam gordura

...

Depois de tempos, a fita era
Mero adereço de decoração
Presa na porta do armário que continha

As roupas que nela não mais cabiam
...

A fita passou a ser evidência da polícia
Suja de sangue, marcada

Encontrada presa à uma escapula de rede
Segurando o corpo sem alma da menina.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017


As trevas que invadem-lhe o coração puro e cálido, nas noites mais frias e perdidas, são as mesmas que lhe clareiam a mente e lhe trazem a paz durante os dias mais quentes e claros.



sábado, 2 de dezembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 5: Inspire-se na sua música favorita.

Música tema: Hey girl – Lady Gaga ft. Florence Welch

Essa sociedade que promove a competição entre mulheres, a luta pra ser a mais bonita, a que tem a bunda maior, a que fica com “o macho”, tem nos jogado cada vez mais no chão. 

“Não pode ter estria, nem celulite”

“Tem que usar manequim 36, no máximo 38. Tamanho 40 já é gorda”

“Eu sou mais bonita que a atual do meu ex, né?”

Em meio a tudo isso, encontrar mulheres que estejam dispostas a apoiar uma a outra, a segurar-se quando tudo estiver revirando de baixo pra cima e de cima pra baixo, não tem preço. Aquela que estará lá te ouvindo, te abraçando e segurando as tuas lágrimas, dizendo que você NÃO PRECISA entrar nesse padrão de beleza! Mostrando que as estrias, ah, meu amor, elas parecem um céu marcado de nuvens, são lindas! Entendendo que entre o “gordo” e o “magro” o mais importante está em se sentir bem com as roupas que você veste, comendo aquilo que te faz feliz e não ligando para o julgamento dos outros! E o mais importante, mesmo que essa sociedade ridícula diga que não, estaremos aqui lado a lado, lutando e batendo de frente com eles, pois a sororidade, minhas queridas, é ela que vai nos ajudar a sermos mais fortes.

Mulheres sendo mais que amigas, irmãs.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Máscaras.

Aquelas que usamos para o baile de Carnaval, encobrindo nossas inseguranças e fingindo sermos outra pessoa por uma noite; ou aquelas que vestimos para contar uma mentira que, ao nosso ver, precisa ser contada para um bem maior; mas, principalmente aquelas que usamos todos os dias, para esconder, subjugar e tentar aniquilar tudo de ruim que há em nós. 


Ela é esguia, começa a aparecer em um dia triste, quando você não quer que as pessoas saibam que você está mal e então, você a veste. Ela fica tão boa em você.. E as pessoas, ah, ingênuas, elas acreditam na sua máscara.. Sem ter que dar explicações, sem desprezos e sem julgamentos. 

Mas, olhe de perto. 

Olhe atentamente para a máscara e em todas as partes dela você verá aquilo que as pessoas fingem não ver. Você verá um olhar que não contempla a felicidade da máscara, você verá pequenos sinais escondidos entre as mechas que insistem em tentar mantê-los secretos por mais tempo.. E, no fim de tudo, essa máscara não se expressa como mais uma casca vazia. Essa máscara de luz e brilho, só expressa um grito inexprimível de dor e medo sob quilos e quilos de purpurina.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 4: Apenas diálogos.

Sobre uma conversa da madrugada, entre duas pessoas com ansiedade e que não conseguem dormir, que têm crises de risos no meio da conversa e assuntos delicados que não podem ser expostos. Entendam como quiser.

- Que foto fofa

- Eu amei essa foto e ela me trouxe paz de espírito. Mas como nascem as estrelas?

- Não sei

- Eu to escrevendo sobre dois caras que ficam juntos: O Hélio e o Hidrogênio

- Eu nomeei um emoji de “xilocaína”

- Tem um shopping na minha risada

- Cry me a river

- Eu vou publicar um livro

- Ainda to em crise de riso

- To vendo um vídeo de maquiagem de como se transformar em uma bratz

- Tá parecendo que eu to bêbado e eu só tomei água e suco de goiaba

- Pelo menos assim o cortisol baixa

- É errado eu ter fotos do face dele no meu ceular?

- Tu achas isso errado? Porque se for, me avisa, pra eu apagar as que tenho aqui.

- Sai sol em escorpião

- E entra sol em sagitário

- Eu estou com um lençol florido e aqui tem na estantezinha um cubo mágico, álbum de fotos e uma vela azul

- Eu to muito assustada

- Eu to morto que tu tá na minha casa

- O nascimento de uma estrela

- Eu salvei esse texto ou esse texto me salvou

- Eu preciso de cttinhos

Fim.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

"Ela tem alma de pipa avoada" já dizia a música. Mas pipa avoada, que quer dizer? Ela é tão livre quanto quer, voa solta pelo céu da vida e entre as inúmeras nuvens que a rodeiam? Seria essa a definição? Mas pra que definir, né? O foco da alma está no indefinido, nos desvios, nas curvas, 
que se refletem no seu corpo voador. Mas pipa é espírito livre, 
pipa avoada pode ser o que quiser, inclusive, uma pipa cansada, 
que não quer mais dar voltas e mais voltas 
entre as nuvens no céu, que só quer sossegar 
e parar de sentir o vento 
tentando joga-la 
para todos os lados. 
Pois a pipa avoada 
está cansada 
de voar. 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Crônicas de uma agenda (3)

Eram duas meninas sentadas nas cadeiras daquela estação. Uma de cabelos castanhos, outra de cabelos vermelhos. A de cabelos vermelhos falava e a outra apenas escutava. A que escutava, estava vidrada, os olhos fixos na outra, a boca fechada em uma linha fina, as mãos cruzadas e firmes sobre a mesa passando uma sensação de calmaria, mas ela estava tremendo mais do que se ela estivesse em um frio de 0°C. A que falava estava nervosa, visivelmente, as pernas inquietas balançavam em baixo da mesa, as mãos torciam os dedos e a cada dez segundos ela movia uma mecha do cabelo para trás da orelha.

E de repente, eu a vi. Ela era límpida, transparente, muito fina e difícil de enxergar de longe, mas eu consegui mesmo assim perceber aquela lágrima escorrendo pelo rosto da garota de cabelos vermelhos. Não pude contar a minha curiosidade e continuei a observa-las. A parte mais interessante, contudo, foi o que ocorreu depois.

As lágrimas secaram. A linha fina dos lábios da moça de cabelos castanhos se transformou em um grande sorriso. A inquietação das pernas da moça de cabelos vermelhos parou. E assim, tão simples quanto o sol que se punha naquele momento, elas se beijavam apaixonadamente e eu, humilde observador do espaço, pude enfim, acreditar no amor novamente, porque eu o vi naquele momento estampado no rosto das duas moças da estação.

domingo, 26 de novembro de 2017

Crônicas de uma agenda (2)

Era manhã e eu me perdia
Em dúvidas, medos e ânsias
Gritando em uníssono
Toda as vezes em que te via

Pensar, sentir, tocar.

Era tarde e eu te sentia
Tua pele, sorrisos, beijos
O contorno da tua boca macia
Ao encontrar tão quente a minha

Beijar, morder, suar.

Era madrugada e eu já não te queria
Nem o beijo, ou sorriso porque tudo em ti, comigo mexia
E no medo de sentir a faísca de um amor, eu me escondia

Gritos, sussurros, silêncio.

É manhã novamente e o sol me mostraria
Que de medo a gente perde as maiores maravilhosas
Como esse sorriso que abrasa a alma desta pobre mulher
E na graça te pergunto, como eu te quero, tu me quer?