Eram duas meninas sentadas nas cadeiras daquela estação. Uma de cabelos castanhos, outra de cabelos vermelhos. A de cabelos vermelhos falava e a outra apenas escutava. A que escutava, estava vidrada, os olhos fixos na outra, a boca fechada em uma linha fina, as mãos cruzadas e firmes sobre a mesa passando uma sensação de calmaria, mas ela estava tremendo mais do que se ela estivesse em um frio de 0°C. A que falava estava nervosa, visivelmente, as pernas inquietas balançavam em baixo da mesa, as mãos torciam os dedos e a cada dez segundos ela movia uma mecha do cabelo para trás da orelha.
E de repente, eu a vi. Ela era límpida, transparente, muito fina e difícil de enxergar de longe, mas eu consegui mesmo assim perceber aquela lágrima escorrendo pelo rosto da garota de cabelos vermelhos. Não pude contar a minha curiosidade e continuei a observa-las. A parte mais interessante, contudo, foi o que ocorreu depois.
As lágrimas secaram. A linha fina dos lábios da moça de cabelos castanhos se transformou em um grande sorriso. A inquietação das pernas da moça de cabelos vermelhos parou. E assim, tão simples quanto o sol que se punha naquele momento, elas se beijavam apaixonadamente e eu, humilde observador do espaço, pude enfim, acreditar no amor novamente, porque eu o vi naquele momento estampado no rosto das duas moças da estação.
Todos os dias de sua vida, serás entregue a morte. E em todos os dias, acordarás e verás que a venceu. Até não acordar mais. - Pedro e Eliza
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
domingo, 26 de novembro de 2017
Crônicas de uma agenda (2)
Era manhã e eu me perdia
Em dúvidas, medos e ânsias
Gritando em uníssono
Toda as vezes em que te via
Pensar, sentir, tocar.
Era tarde e eu te sentia
Tua pele, sorrisos, beijos
O contorno da tua boca macia
Ao encontrar tão quente a minha
Beijar, morder, suar.
Era madrugada e eu já não te queria
Nem o beijo, ou sorriso porque tudo em ti, comigo mexia
E no medo de sentir a faísca de um amor, eu me escondia
Gritos, sussurros, silêncio.
É manhã novamente e o sol me mostraria
Que de medo a gente perde as maiores maravilhosas
Como esse sorriso que abrasa a alma desta pobre mulher
E na graça te pergunto, como eu te quero, tu me quer?
Em dúvidas, medos e ânsias
Gritando em uníssono
Toda as vezes em que te via
Pensar, sentir, tocar.
Era tarde e eu te sentia
Tua pele, sorrisos, beijos
O contorno da tua boca macia
Ao encontrar tão quente a minha
Beijar, morder, suar.
Era madrugada e eu já não te queria
Nem o beijo, ou sorriso porque tudo em ti, comigo mexia
E no medo de sentir a faísca de um amor, eu me escondia
Gritos, sussurros, silêncio.
É manhã novamente e o sol me mostraria
Que de medo a gente perde as maiores maravilhosas
Como esse sorriso que abrasa a alma desta pobre mulher
E na graça te pergunto, como eu te quero, tu me quer?
sábado, 25 de novembro de 2017
Crônicas de uma agenda (1)
Entre o momento de estar solteiro e feliz com isso e o momento de estar com alguém e também feliz com isso, existe um limbo. Esse limbo envolve um misto de sentimentos muito conflitantes, tempestuosos e angustiantes, mas também, sentimentos alegres e de expectativas que um dia podem ser-real.
Foi nesse limbo que o meu fio de vida se cruzou com o teu.
Engraçado que os fios, eles sempre se embolam, por vezes dá laço, por vezes dá nó e eu sou muito grata pelo nosso nó estar tão firme que o laço nunca desmancha. Deu um certo trabalho embolar esses fios, cada partezinha deles parecia estar como fios elétricos desencapados, mas, moldando com essa paciência e organizando com esse carinho, saiu um dos laços mais lindos que um dia eu sonhei em chamar de meu.
E é nesse laço que minha alma quer estar.
Não é prisão. É ligação.
Não é espaço. É abraço.
Não é clausura. É apenas: Casa.
Foi nesse limbo que o meu fio de vida se cruzou com o teu.
Engraçado que os fios, eles sempre se embolam, por vezes dá laço, por vezes dá nó e eu sou muito grata pelo nosso nó estar tão firme que o laço nunca desmancha. Deu um certo trabalho embolar esses fios, cada partezinha deles parecia estar como fios elétricos desencapados, mas, moldando com essa paciência e organizando com esse carinho, saiu um dos laços mais lindos que um dia eu sonhei em chamar de meu.
E é nesse laço que minha alma quer estar.
Não é prisão. É ligação.
Não é espaço. É abraço.
Não é clausura. É apenas: Casa.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
30 days writing challenge - Dia 3: Um gênero que você nunca tenha escrito antes.
Manual de instruções para ouvir Lady Gaga:
1. O
álbum The Fame/The Fame Monster fala sobre um tema grandioso, que é a
insegurança e o medo. Medo de amar, medo de solidão, medo da morte e tantas
outras formas de medo que o mundo pode nos trazer. Se você se sente assim,
escute as músicas desse álbum, lendo a letra, sentindo a canção percorrer seu
corpo e sua alma. Eu sei que elas são super dançantes, mas não tenha medo de
ouvi-las sentindo tudo o que elas podem lhe passar. Exemplos: Bad romance; Alejandro; Speechless;
Love Game; e Disco Heaven.
2. Ao
ouvir o álbum Born This Way, a sensação já é totalmente diferente. Você tem
ativismo, luta, empoderamento, você escuta Born This Way para se fortalecer,
quando se sentir quebrado demais, para se sentir melhor quando o mundo tenta
sempre te jogar no chão, esse é o álbum para sair da bad (atente sempre para
tentar ler a letra em português e entender o que a música passa, além de
senti-la). Exemplos: Marry the
night; Judas; Yoü and I; e o próprio hino Born This Way!
3.
Quando você tem o primeiro contato com ARTPOP, o
terceiro disco, dá pra ter uma sensação de “essa é a Gaga que todxs falam?”.
Nele, nós encontramos muitas reflexões, no entanto, ao ouvir as músicas você
sente mais vontade de rebolar a raba, do que qualquer outra coisa. Admito que
não é tão superprodução quanto poderia ser. Exemplos: Aura; Venus; Artpop; e
Applause.
4.
Agora vou te mostrar meu maior vício atual:
JOANNE! Que hino de disco! Me arrisco em dizer que ele tem propriedades
terapêuticas e isso não é coisa de fã rsrs. Se você se sente triste, ou
machucado, ou com um astral bom, ou se sente feliz, de qualquer forma, o álbum
Joanne vai te fazer bem, é mais uma autobiografia do que qualquer coisa e sabe,
ela realmente conseguiu se superar aqui e em cada música traz uma sensação
diferente. Exemplos: John Wayne (Pra quem tá com o astral lá em cima); Just
another Day (Relaxante, pra quem tá com umas neuras); Grigio girls (se você se
sente solitárix); Hey girl ft. Florence Welch (essa aqui é o meu BB, escuta ele
se você precisa de apoio, de alguém aqui por você e qualquer coisa, vem
conversar comigo que a gente pode descobrir uma forma de se ajudar <3)
É isso, aproveitem o manual, aproveitem Lady Gaga e
divirtam-se!
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
30 days writing challenge - Dia 2: Escreva sobre algo historico.
Dia 2 – Escreva sobre algo histórico
O que há de mais importante na história da humanidade, se não um nascimento?
O nascimento de um deus, de uma flor, de uma pessoa, de uma crença, de uma luta. É de um nascimento que temos toda a construção que se segue até a morte. Hoje, narrarei o nascimento de uma estrela.
Bem antes de ser estrela, ela era um aglomerado de muitos átomos vivendo numa nebulosa. Eles viviam espalhados nela, sem sentido de vida, sem função, sem nada, apenas existindo como matéria livre. Um dia, um cara chamado Hélio decidiu se aproximar um pouco de outro cara, chamado Hidrogênio e por algum motivo que nem o universo consegue explicar, eles gostaram muito de ficar juntos e não se soltaram mais. O hélio ficava todo bobo quando o Hidrogênio aparecia, sabe aqueles casais que nasceram pra ficar juntos? Pois é, eram esses dois.
Quando outros caras chamados Hélio viram isso, perceberam que eles podiam amar e ter alguém também e assim partiram em busca de outros caras chamados Hidrogênio. Eles foram ficando cada vez mais juntinhos e de cada união dessa emanava um tipo de brilho, um calor pequeno e aconchegante, os casais de Hélio e Hidrogênio começaram a se agrupar um ao lado do outro e então o brilho pequeno começou a crescer e todos os medos e ânsias por estarem amando outro cara, de repente, sumiram, porque todos eles juntos tinham uma força tremenda, um brilho incrível e um amor espantoso.
E foi assim que dois caras deram luz a uma estrela.quinta-feira, 2 de novembro de 2017
30 days writing challenge - Dia 1: Descreva um lugar
Primeiro: Imagine uma casa, uma casa não muito espaçosa, sem grandes cômodos, sem grandes escadas e sacadas. Pense em uma casa pequena, com uma sala de estar apertado, um quarto diminuto e um banheiro de dois metros quadrados.
Segundo: Se imagine nessa sala de estar apertada, sentado em um sofá de dois lugares, uma mesa ao seu lado e um armário pequeno à sua frente que lhe guarda alguns segredos... Um álbum de fotografias antigo, de quando você era pequeno e não se debatia com o medo do futuro; um cubo mágico que representa todos os problemas que você não consegue resolver sozinho; e uma vela azul que te traz a paz que você precisa.
Terceiro: Agora você está naquele quarto diminuto, mas você não se sente oprimido, nem sente falta de espaço, porque a sua cama está lá. Ela é bem grande, os lençóis floridos são tão macios quanto pele de bebê e você sente tanta calma e tranquilidade deitando nela, que esquece do mundo.
Quarto: Você está naquele banheiro de dois metros quadrados, naquele banheiro onde você consegue chorar e colocar as dores todas para fora junto com a água que escorre pelo ralo, onde você toma os banhos longos e se limpa de toda a energia ruim.
Quinto e último passo: Transforme toda a construção dessa casa, na constituição de uma pessoa. A sala, o quarto, o banheiro... Os olhos, o sorriso, o calor... A sensação de ter um porto seguro, os braços se abrindo, o coração acelerando e de repente, tudo faz sentido no mundo...
Porque o meu lugar é dentro de um abraço.domingo, 22 de outubro de 2017
sex tapes .1
O tempo correndo
Coração batendo
Teu corpo ardendo
Meu corpo tremendo
Os olhos fechados
Os dedos melados
Os beijos safados
Os gritos calados
As bocas batendo
Gemidos crescendo
O sol nascendo
E a gente fazendo.
sábado, 21 de outubro de 2017
Inseguranças
Incrível a capacidade do ser humano de se submeter às
vontades da sociedade e tentar se moldar ao que o mundo exige. Tomo como
exemplo eu mesma. Eu tenho uma “necessidade” muito grande de me sentir
importante, de ser reconhecida, porque só assim eu penso que vou ser
suficiente, que vou ser alguém nesse mundo. E pra ser importante, existe uma
meta enorme que eu imponho a mim mesma, de tantas coisas que preciso cumprir ao
mesmo tempo e que se eu não cumprir trago consequências de mim para mim
mesma... Frustração. Raiva. Tristeza. Solidão.
Nessas poucas frases eu tiro tantas reflexões..
Porque eu preciso ser importante?
Porque eu tenho esse sentimento de insuficiência?
Porque eu acabo me punindo por essa insuficiência?
São perguntas simples, com uma resposta bem simples. Mas
quando colocadas em prática, são tão complexas e difíceis de lidar, porque
acabam recaindo em um único sentimento: Insegurança. Essa insegurança em ser
mulher, em ser universitária, em ser amiga, em ser filha, toda essa insegurança
que eu sinto se aglomera e forma uma bola de neve que tenta me derrubar todos
os dias. A pior parte é que eu sei de tudo isso e mesmo assim não consigo sair
desse loop.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Cartas de Liandra - 1
Belém, 25 de maio de 2015.
Nico,
Um amor de infância é extremamente forte naquele momento,
mas, depois, percebemos a ingenuidade dos nossos atos. Acho que a gente se via
apenas uma ou duas vezes por mês, quando eu ia para a casa da minha tia e ela me
levava a sua casa, junto com a Bel, para brincarmos, mal imaginando ela,
coitada, que jogávamos “3 minutos no céu”.
Tínhamos o que? Oito anos? E girar a garrafa me deixava toda
nervosa, esperando que apontasse para você e juntos iríamos ficar sozinhos em
uma área. Eu esperava, desde aquela época, que você me beijasse ou dissesse que
me amava, boba que era, porém, você nunca os fez. Me pegava pensando várias
noites o motivo de você não fazer como nos filmes de romance e me tomar nos
braços com um lindo beijo de amor. Será se não gostava de mim? Ou me achava
feia? Ou não tinha coragem? De fato, eu não tinha ideia.
Seu jeito era todo engraçado, por vezes machista e mandão,
mas, para isso eu pensava “Ele tem esse jeito bruto, mas, o meu amor pode
melhorar isso, sem que ele precise mudar e vamos ser felizes para sempre”. Eu
poderia ser mais ingenua que isso? Hoje, percebo que nosso amor seria trágico,
brigas frequentes e pouco carinho, tudo aquilo que eu abomino. Mas, será que
você mudou? Me pergunto se você se importa mais com as pessoas e se a gente
voltasse a se encontrar, poderia haver algo consistente? Me pergunto se você
continua usando o “modelo careca” que eu sempre achei engraçado, mas, era
divertido tocar, porque espetava os dedos fazendo cócegas.
Às vezes me pego pensando em como seriam nossos filhos –
raramente, mas penso – e esses devaneios impossíveis me fazem sorrir. Espero
que encontres alguém que te aceite e que tenhas uma boa vida.
Crônica parisiense
Era um simples banco de madeira vermelha, com pés de ferro e
braços quebrados, nada mais. Mas, era o meu banco de madeira vermelha. Todos os
dias, às cinco da tarde, eu sento naquele banco, uma xícara de chá verde ao
lado, comprada na cafeteria em frente à praça e um livro surrado nas mãos. O mesmo
livro de sempre, no qual a história se passa na mesma cidade onde estou.
Vejo várias pessoas passando por ali todos os dias. Um
menino correndo atrás de uma bola, um homem apressado com uma pasta nas mãos,
uma turista tirando fotos da enorme torre, um casal de mãos dadas apreciando a
paisagem e é isso que prende minha atenção.
As mãos juntas como se não fossem mais soltar, o andar
preguiçoso como se houvesse tempo para tudo, o modo lento que os lábios se
moviam soltando as palavras no ar e, por fim, um beijo na ponta do nariz e um
sorriso aberto, traduzindo um leve recado.. “Eu vou te proteger”. Para mim
estava claro, eles se casariam dali há algum tempo, teriam uma linda casa com
varanda em frente a um campo de flores e três crianças saudáveis. Quando os
filhos já estivessem crescidos, eles poderiam descansar e morreriam juntos.
Mas, seu amor não iria morrer, continuaria vivo no coração de filhos e netos. E
no meu também. Foi o que eu desejei a eles dois, porque todo mundo merece um
amor pra vida inteira.
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