segunda-feira, 4 de dezembro de 2017


As trevas que invadem-lhe o coração puro e cálido, nas noites mais frias e perdidas, são as mesmas que lhe clareiam a mente e lhe trazem a paz durante os dias mais quentes e claros.



sábado, 2 de dezembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 5: Inspire-se na sua música favorita.

Música tema: Hey girl – Lady Gaga ft. Florence Welch

Essa sociedade que promove a competição entre mulheres, a luta pra ser a mais bonita, a que tem a bunda maior, a que fica com “o macho”, tem nos jogado cada vez mais no chão. 

“Não pode ter estria, nem celulite”

“Tem que usar manequim 36, no máximo 38. Tamanho 40 já é gorda”

“Eu sou mais bonita que a atual do meu ex, né?”

Em meio a tudo isso, encontrar mulheres que estejam dispostas a apoiar uma a outra, a segurar-se quando tudo estiver revirando de baixo pra cima e de cima pra baixo, não tem preço. Aquela que estará lá te ouvindo, te abraçando e segurando as tuas lágrimas, dizendo que você NÃO PRECISA entrar nesse padrão de beleza! Mostrando que as estrias, ah, meu amor, elas parecem um céu marcado de nuvens, são lindas! Entendendo que entre o “gordo” e o “magro” o mais importante está em se sentir bem com as roupas que você veste, comendo aquilo que te faz feliz e não ligando para o julgamento dos outros! E o mais importante, mesmo que essa sociedade ridícula diga que não, estaremos aqui lado a lado, lutando e batendo de frente com eles, pois a sororidade, minhas queridas, é ela que vai nos ajudar a sermos mais fortes.

Mulheres sendo mais que amigas, irmãs.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Máscaras.

Aquelas que usamos para o baile de Carnaval, encobrindo nossas inseguranças e fingindo sermos outra pessoa por uma noite; ou aquelas que vestimos para contar uma mentira que, ao nosso ver, precisa ser contada para um bem maior; mas, principalmente aquelas que usamos todos os dias, para esconder, subjugar e tentar aniquilar tudo de ruim que há em nós. 


Ela é esguia, começa a aparecer em um dia triste, quando você não quer que as pessoas saibam que você está mal e então, você a veste. Ela fica tão boa em você.. E as pessoas, ah, ingênuas, elas acreditam na sua máscara.. Sem ter que dar explicações, sem desprezos e sem julgamentos. 

Mas, olhe de perto. 

Olhe atentamente para a máscara e em todas as partes dela você verá aquilo que as pessoas fingem não ver. Você verá um olhar que não contempla a felicidade da máscara, você verá pequenos sinais escondidos entre as mechas que insistem em tentar mantê-los secretos por mais tempo.. E, no fim de tudo, essa máscara não se expressa como mais uma casca vazia. Essa máscara de luz e brilho, só expressa um grito inexprimível de dor e medo sob quilos e quilos de purpurina.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 4: Apenas diálogos.

Sobre uma conversa da madrugada, entre duas pessoas com ansiedade e que não conseguem dormir, que têm crises de risos no meio da conversa e assuntos delicados que não podem ser expostos. Entendam como quiser.

- Que foto fofa

- Eu amei essa foto e ela me trouxe paz de espírito. Mas como nascem as estrelas?

- Não sei

- Eu to escrevendo sobre dois caras que ficam juntos: O Hélio e o Hidrogênio

- Eu nomeei um emoji de “xilocaína”

- Tem um shopping na minha risada

- Cry me a river

- Eu vou publicar um livro

- Ainda to em crise de riso

- To vendo um vídeo de maquiagem de como se transformar em uma bratz

- Tá parecendo que eu to bêbado e eu só tomei água e suco de goiaba

- Pelo menos assim o cortisol baixa

- É errado eu ter fotos do face dele no meu ceular?

- Tu achas isso errado? Porque se for, me avisa, pra eu apagar as que tenho aqui.

- Sai sol em escorpião

- E entra sol em sagitário

- Eu estou com um lençol florido e aqui tem na estantezinha um cubo mágico, álbum de fotos e uma vela azul

- Eu to muito assustada

- Eu to morto que tu tá na minha casa

- O nascimento de uma estrela

- Eu salvei esse texto ou esse texto me salvou

- Eu preciso de cttinhos

Fim.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

"Ela tem alma de pipa avoada" já dizia a música. Mas pipa avoada, que quer dizer? Ela é tão livre quanto quer, voa solta pelo céu da vida e entre as inúmeras nuvens que a rodeiam? Seria essa a definição? Mas pra que definir, né? O foco da alma está no indefinido, nos desvios, nas curvas, 
que se refletem no seu corpo voador. Mas pipa é espírito livre, 
pipa avoada pode ser o que quiser, inclusive, uma pipa cansada, 
que não quer mais dar voltas e mais voltas 
entre as nuvens no céu, que só quer sossegar 
e parar de sentir o vento 
tentando joga-la 
para todos os lados. 
Pois a pipa avoada 
está cansada 
de voar. 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Crônicas de uma agenda (3)

Eram duas meninas sentadas nas cadeiras daquela estação. Uma de cabelos castanhos, outra de cabelos vermelhos. A de cabelos vermelhos falava e a outra apenas escutava. A que escutava, estava vidrada, os olhos fixos na outra, a boca fechada em uma linha fina, as mãos cruzadas e firmes sobre a mesa passando uma sensação de calmaria, mas ela estava tremendo mais do que se ela estivesse em um frio de 0°C. A que falava estava nervosa, visivelmente, as pernas inquietas balançavam em baixo da mesa, as mãos torciam os dedos e a cada dez segundos ela movia uma mecha do cabelo para trás da orelha.

E de repente, eu a vi. Ela era límpida, transparente, muito fina e difícil de enxergar de longe, mas eu consegui mesmo assim perceber aquela lágrima escorrendo pelo rosto da garota de cabelos vermelhos. Não pude contar a minha curiosidade e continuei a observa-las. A parte mais interessante, contudo, foi o que ocorreu depois.

As lágrimas secaram. A linha fina dos lábios da moça de cabelos castanhos se transformou em um grande sorriso. A inquietação das pernas da moça de cabelos vermelhos parou. E assim, tão simples quanto o sol que se punha naquele momento, elas se beijavam apaixonadamente e eu, humilde observador do espaço, pude enfim, acreditar no amor novamente, porque eu o vi naquele momento estampado no rosto das duas moças da estação.

domingo, 26 de novembro de 2017

Crônicas de uma agenda (2)

Era manhã e eu me perdia
Em dúvidas, medos e ânsias
Gritando em uníssono
Toda as vezes em que te via

Pensar, sentir, tocar.

Era tarde e eu te sentia
Tua pele, sorrisos, beijos
O contorno da tua boca macia
Ao encontrar tão quente a minha

Beijar, morder, suar.

Era madrugada e eu já não te queria
Nem o beijo, ou sorriso porque tudo em ti, comigo mexia
E no medo de sentir a faísca de um amor, eu me escondia

Gritos, sussurros, silêncio.

É manhã novamente e o sol me mostraria
Que de medo a gente perde as maiores maravilhosas
Como esse sorriso que abrasa a alma desta pobre mulher
E na graça te pergunto, como eu te quero, tu me quer?

sábado, 25 de novembro de 2017

Crônicas de uma agenda (1)

Entre o momento de estar solteiro e feliz com isso e o momento de estar com alguém e também feliz com isso, existe um limbo. Esse limbo envolve um misto de sentimentos muito conflitantes, tempestuosos e angustiantes, mas também, sentimentos alegres e de expectativas que um dia podem ser-real.

Foi nesse limbo que o meu fio de vida se cruzou com o teu.

Engraçado que os fios, eles sempre se embolam, por vezes dá laço, por vezes dá nó e eu sou muito grata pelo nosso nó estar tão firme que o laço nunca desmancha. Deu um certo trabalho embolar esses fios, cada partezinha deles parecia estar como fios elétricos desencapados, mas, moldando com essa paciência e organizando com esse carinho, saiu um dos laços mais lindos que um dia eu sonhei em chamar de meu.

E é nesse laço que minha alma quer estar.
Não é prisão. É ligação.
Não é espaço. É abraço.
Não é clausura. É apenas: Casa.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 3: Um gênero que você nunca tenha escrito antes.

Manual de instruções para ouvir Lady Gaga:

1.       O álbum The Fame/The Fame Monster fala sobre um tema grandioso, que é a insegurança e o medo. Medo de amar, medo de solidão, medo da morte e tantas outras formas de medo que o mundo pode nos trazer. Se você se sente assim, escute as músicas desse álbum, lendo a letra, sentindo a canção percorrer seu corpo e sua alma. Eu sei que elas são super dançantes, mas não tenha medo de ouvi-las sentindo tudo o que elas podem lhe passar. Exemplos: Bad romance; Alejandro; Speechless; Love Game; e Disco Heaven.

2.       Ao ouvir o álbum Born This Way, a sensação já é totalmente diferente. Você tem ativismo, luta, empoderamento, você escuta Born This Way para se fortalecer, quando se sentir quebrado demais, para se sentir melhor quando o mundo tenta sempre te jogar no chão, esse é o álbum para sair da bad (atente sempre para tentar ler a letra em português e entender o que a música passa, além de senti-la). Exemplos: Marry the night; Judas; Yoü and I; e o próprio hino Born This Way!

3.       Quando você tem o primeiro contato com ARTPOP, o terceiro disco, dá pra ter uma sensação de “essa é a Gaga que todxs falam?”. Nele, nós encontramos muitas reflexões, no entanto, ao ouvir as músicas você sente mais vontade de rebolar a raba, do que qualquer outra coisa. Admito que não é tão superprodução quanto poderia ser. Exemplos: Aura; Venus; Artpop; e Applause.

4.       Agora vou te mostrar meu maior vício atual: JOANNE! Que hino de disco! Me arrisco em dizer que ele tem propriedades terapêuticas e isso não é coisa de fã rsrs. Se você se sente triste, ou machucado, ou com um astral bom, ou se sente feliz, de qualquer forma, o álbum Joanne vai te fazer bem, é mais uma autobiografia do que qualquer coisa e sabe, ela realmente conseguiu se superar aqui e em cada música traz uma sensação diferente. Exemplos: John Wayne (Pra quem tá com o astral lá em cima); Just another Day (Relaxante, pra quem tá com umas neuras); Grigio girls (se você se sente solitárix); Hey girl ft. Florence Welch (essa aqui é o meu BB, escuta ele se você precisa de apoio, de alguém aqui por você e qualquer coisa, vem conversar comigo que a gente pode descobrir uma forma de se ajudar <3)


É isso, aproveitem o manual, aproveitem Lady Gaga e divirtam-se!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 2: Escreva sobre algo historico.

Dia 2 – Escreva sobre algo histórico
O que há de mais importante na história da humanidade, se não um nascimento?
O nascimento de um deus, de uma flor, de uma pessoa, de uma crença, de uma luta. É de um nascimento que temos toda a construção que se segue até a morte. Hoje, narrarei o nascimento de uma estrela.  
Bem antes de ser estrela, ela era um aglomerado de muitos átomos vivendo numa nebulosa. Eles viviam espalhados nela, sem sentido de vida, sem função, sem nada, apenas existindo como matéria livre. Um dia, um cara chamado Hélio decidiu se aproximar um pouco de outro cara, chamado Hidrogênio e por algum motivo que nem o universo consegue explicar, eles gostaram muito de ficar juntos e não se soltaram mais. O hélio ficava todo bobo quando o Hidrogênio aparecia, sabe aqueles casais que nasceram pra ficar juntos? Pois é, eram esses dois.
Quando outros caras chamados Hélio viram isso, perceberam que eles podiam amar e ter alguém também e assim partiram em busca de outros caras chamados Hidrogênio. Eles foram ficando cada vez mais juntinhos e de cada união dessa emanava um tipo de brilho, um calor pequeno e aconchegante, os casais de Hélio e Hidrogênio começaram a se agrupar um ao lado do outro e então o brilho pequeno começou a crescer e todos os medos e ânsias por estarem amando outro cara, de repente, sumiram, porque todos eles juntos tinham uma força tremenda, um brilho incrível e um amor espantoso.
E foi assim que dois caras deram luz a uma estrela.



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

30 days writing challenge - Dia 1: Descreva um lugar

Primeiro: Imagine uma casa, uma casa não muito espaçosa, sem grandes cômodos, sem grandes escadas e sacadas. Pense em uma casa pequena, com uma sala de estar apertado, um quarto diminuto e um banheiro de dois metros quadrados.
Segundo: Se imagine nessa sala de estar apertada, sentado em um sofá de dois lugares, uma mesa ao seu lado e um armário pequeno à sua frente que lhe guarda alguns segredos... Um álbum de fotografias antigo, de quando você era pequeno e não se debatia com o medo do futuro; um cubo mágico que representa todos os problemas que você não consegue resolver sozinho; e uma vela azul que te traz a paz que você precisa.
Terceiro: Agora você está naquele quarto diminuto, mas você não se sente oprimido, nem sente falta de espaço, porque a sua cama está lá. Ela é bem grande, os lençóis floridos são tão macios quanto pele de bebê e você sente tanta calma e tranquilidade deitando nela, que esquece do mundo.
Quarto: Você está naquele banheiro de dois metros quadrados, naquele banheiro onde você consegue chorar e colocar as dores todas para fora junto com a água que escorre pelo ralo, onde você toma os banhos longos e se limpa de toda a energia ruim.
Quinto e último passo: Transforme toda a construção dessa casa, na constituição de uma pessoa. A sala, o quarto, o banheiro... Os olhos, o sorriso, o calor... A sensação de ter um porto seguro, os braços se abrindo, o coração acelerando e de repente, tudo faz sentido no mundo...
Porque o meu lugar é dentro de um abraço.





domingo, 22 de outubro de 2017

sex tapes .1

O tempo correndo
Coração batendo

Teu corpo ardendo
Meu corpo tremendo

Os olhos fechados
Os dedos melados

Os beijos safados
Os gritos calados

As bocas batendo
Gemidos crescendo

O sol nascendo
E a gente fazendo.

sábado, 21 de outubro de 2017

Inseguranças

Incrível a capacidade do ser humano de se submeter às vontades da sociedade e tentar se moldar ao que o mundo exige. Tomo como exemplo eu mesma. Eu tenho uma “necessidade” muito grande de me sentir importante, de ser reconhecida, porque só assim eu penso que vou ser suficiente, que vou ser alguém nesse mundo. E pra ser importante, existe uma meta enorme que eu imponho a mim mesma, de tantas coisas que preciso cumprir ao mesmo tempo e que se eu não cumprir trago consequências de mim para mim mesma... Frustração. Raiva. Tristeza. Solidão.

Nessas poucas frases eu tiro tantas reflexões..

Porque eu preciso ser importante?
Porque eu tenho esse sentimento de insuficiência?
Porque eu acabo me punindo por essa insuficiência?


São perguntas simples, com uma resposta bem simples. Mas quando colocadas em prática, são tão complexas e difíceis de lidar, porque acabam recaindo em um único sentimento: Insegurança. Essa insegurança em ser mulher, em ser universitária, em ser amiga, em ser filha, toda essa insegurança que eu sinto se aglomera e forma uma bola de neve que tenta me derrubar todos os dias. A pior parte é que eu sei de tudo isso e mesmo assim não consigo sair desse loop.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Cartas de Liandra - 1

Belém, 25 de maio de 2015.
Nico,

Um amor de infância é extremamente forte naquele momento, mas, depois, percebemos a ingenuidade dos nossos atos. Acho que a gente se via apenas uma ou duas vezes por mês, quando eu ia para a casa da minha tia e ela me levava a sua casa, junto com a Bel, para brincarmos, mal imaginando ela, coitada, que jogávamos “3 minutos no céu”.

Tínhamos o que? Oito anos? E girar a garrafa me deixava toda nervosa, esperando que apontasse para você e juntos iríamos ficar sozinhos em uma área. Eu esperava, desde aquela época, que você me beijasse ou dissesse que me amava, boba que era, porém, você nunca os fez. Me pegava pensando várias noites o motivo de você não fazer como nos filmes de romance e me tomar nos braços com um lindo beijo de amor. Será se não gostava de mim? Ou me achava feia? Ou não tinha coragem? De fato, eu não tinha ideia.

Seu jeito era todo engraçado, por vezes machista e mandão, mas, para isso eu pensava “Ele tem esse jeito bruto, mas, o meu amor pode melhorar isso, sem que ele precise mudar e vamos ser felizes para sempre”. Eu poderia ser mais ingenua que isso? Hoje, percebo que nosso amor seria trágico, brigas frequentes e pouco carinho, tudo aquilo que eu abomino. Mas, será que você mudou? Me pergunto se você se importa mais com as pessoas e se a gente voltasse a se encontrar, poderia haver algo consistente? Me pergunto se você continua usando o “modelo careca” que eu sempre achei engraçado, mas, era divertido tocar, porque espetava os dedos fazendo cócegas.


Às vezes me pego pensando em como seriam nossos filhos – raramente, mas penso – e esses devaneios impossíveis me fazem sorrir. Espero que encontres alguém que te aceite e que tenhas uma boa vida. 

Crônica parisiense

Era um simples banco de madeira vermelha, com pés de ferro e braços quebrados, nada mais. Mas, era o meu banco de madeira vermelha. Todos os dias, às cinco da tarde, eu sento naquele banco, uma xícara de chá verde ao lado, comprada na cafeteria em frente à praça e um livro surrado nas mãos. O mesmo livro de sempre, no qual a história se passa na mesma cidade onde estou.

Vejo várias pessoas passando por ali todos os dias. Um menino correndo atrás de uma bola, um homem apressado com uma pasta nas mãos, uma turista tirando fotos da enorme torre, um casal de mãos dadas apreciando a paisagem e é isso que prende minha atenção.

As mãos juntas como se não fossem mais soltar, o andar preguiçoso como se houvesse tempo para tudo, o modo lento que os lábios se moviam soltando as palavras no ar e, por fim, um beijo na ponta do nariz e um sorriso aberto, traduzindo um leve recado.. “Eu vou te proteger”. Para mim estava claro, eles se casariam dali há algum tempo, teriam uma linda casa com varanda em frente a um campo de flores e três crianças saudáveis. Quando os filhos já estivessem crescidos, eles poderiam descansar e morreriam juntos. Mas, seu amor não iria morrer, continuaria vivo no coração de filhos e netos. E no meu também. Foi o que eu desejei a eles dois, porque todo mundo merece um amor pra vida inteira.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Curso temporal

Sabe, a vida ama a morte; a vida corre para a morte de braços abertos e sorriso no rosto, o grande problema é que ela nos leva junto nessa corrente do tempo. Nadando de peito, borboleta, flutuando, ou sendo puxados, somos sempre levados a ela.

Porém, existem instantes, pequenos momentos, os quais para a vida e a morte duram um segundo, mas, para nós levam horas, dias, meses e anos, nestes instantes minúsculos, podemos parar e refletir para qual direção seguir, podemos tentar escolher o curso temporal do nosso próprio rio... Mas, tudo não passa de uma ilusão, um falso pensamento de que temos poder de decisão no destino, quando na verdade, o curso temporal é único.

Pense, sim, mas não na direção do rio - apenas aceite-o da forma que vier -  pense em quem vai estar ao seu lado nesse curso temporal, isso você pode escolher! Quem vai estar contigo nadando de peito, borboleta, flutuando, ou sendo puxados pela corrente do rio, é um dos pontos mais importantes da jornada.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Pré - conceito

Todos os dias algumas pessoas pensam em tirar a própria vida. É incrível a capacidade que elas têm de se segurar e desistir da ideia, quando boa parte do mundo as julga e tenta quebrar seu espírito. Seria muito mais fácil desistir de tudo e acabar com aquilo que eles chamam de vida miserável, não? Seria muito melhor tirar esse espírito maligno do mundo e fazer dele um lugar melhor, sem a sua presença, não? Seria uma boa ideia, não? Se não fosse baseada em tanto medo, opressão, preconceito e ódio, essa ideia nem existiria.
Eu tenho uma proposta pra você que está lendo isso agora, vou te fazer algumas perguntas, mas quero que você pense muito bem antes de responder, ok? Vamo lá.

     1. Como seria se alguém chegasse com você e dissesse que seus olhos são castanhos porque você escolheu assim?
      2. Como você agiria se te dissessem que você pode mudar a cor dos seus olhos castanhos só com a força de vontade?
     3. Agora imagine que outras pessoas te dizem que os seus olhos castanhos são uma cor nojenta, desagradável e que você deve tentar mais arduamente mudar de cor, que você precisa de mais empenho pra fazer essa mudança logo.
     4. E então, se outra pessoa chegasse com você e dissesse que ter olhos castanhos é ser uma aberração da natureza e que você iria para o Inferno por isso, como você se sentiria?

São perguntas simples, que podem te causar uma pequena confusão, mas são fáceis de responder. Seria estranho, seria invasivo, talvez até alguém pense em “impossível mudar isso, eu já nasci assim”, “não posso ir para o Inferno por causa de uma característica que me faz ser quem eu sou”. Então, eu te pergunto, porque é tão difícil aceitar que uma pessoa é gay porque ela nasceu assim? Ela não pode mudar isso, ela não quer mudar isso, porque isso faz dela, ela mesma. Ela não pode “ir para o inferno” simplesmente por amar outra pessoa do mesmo sexo que ela.
O que vejo no mundo, hoje, é que falta mais amor. Falta mais empatia e compaixão. As pessoas pensam no que o outro tem de “errado” e esquece-se de prestar atenção no quanto aquele ser humano pode sofrer com aquilo... “Ame ao próximo como a ti mesmo”, cansei de ouvir essa frase sendo ecoada da boca de pessoas que dizem que homossexuais devem ir para o Inferno, chega de hipocrisia, meus queridxs, chega de ódio, chega de opressão, vocês não acham que já está na hora de propagar mais amor e solidariedade, acima de tudo? Vocês não acham que tantas mortes seriam evitadas se as pessoas fossem respeitadas por aquilo que elas são? Você que está lendo isso, pensa bem no quanto o mundo poderia ser diferente se ao invés de olhar e julgar o outro com base nas pessoas que ele ama, nós passássemos a amar mais os que estão ao nosso redor e dar atenção e essas pessoas... Ah, que sonho.
Quanto a você, que se encaixa na descrição anterior... Que pensa em tirar a própria vida... Que sente que o mundo te odeia por ser quem você é... Eu te digo que existem muitos aqui que não te odeiam, pelo contrário, pessoas que estão aqui pra te ver bem, pessoas que te amam, pessoas que lutam para que você possa viver em um mundo melhor, pessoas que jamais vão te dizer que é errado você amar alguém, pessoas que vão olhar nos seus olhos, segurar a sua mão e dizer: As lágrimas de tristeza que você derrama hoje por culpa dessa opressão, serão as lágrimas de felicidade que derramarás amanhã, quando você puder amar quem você quiser amar, sem medo ou culpa, mas tudo isso só vai ser possível com luta, com força, com união.
Não precisa ser gay pra se solidarizar com a causa, não precisa ser lésbica pra lutar por um mundo que tenha mais amor... Não precisa que uma trans morra espancada, pra que seja feito um textão sobre a importância da vida. Só é preciso que as pessoas entendam que ser LGBTQ+ não é motivo pra ter uma vida miserável e que respeitem todas as formas de amor, porque elas valem muito mais do que o ódio, elas podem, sim, transformar esse mundo caótico em um bom lugar pra se viver.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Falsidade

Sinceramente, não sei o que aconteceu com o estado de espírito alegre e efusivo que eu tinha dois anos atrás... A vontade de viver, ser feliz e criar bolhas de emoção todos os dias, junto com o prazer de simplesmente acordar e sorrir pra vida. Acho que depois de decepções seguidas a gente adquire imunidade à felicidade.
Hoje, eu acordo e vivo, crio bolhas de emoção, mostro a minha felicidade para o mundo, o problema é que essa felicidade não é minha. Eu roubo de alguém, ponho no meu rosto e mostro pras pessoas como se me pertencesse, faço com que ela pareça natural e isso já vem ocorrendo a tanto tempo que não sei mais como não fazer... Um rosto falso. Uma felicidade falsa. Tudo é falso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Hoje eu chorei no meio do banho.

Não foi um choro estridente, com grandes lágrimas rolando, socos nas paredes e gritos que fariam os vizinhos questionarem a qualidade do cuidado oferecido aos jovens naquela casa. Foi o choro mais silencioso da minha vida, as lágrimas caiam como se não fossem de ninguém, lavei os cabelos normalmente, sem espasmos de sofrimento e vontade de socar paredes, acho que ando cansada demais para chorar direito.


Saí do banho e parei na frente do espelho por alguns minutos - que eu não lembro de ter contado. Parei, não conseguia mais pensar, apenas parei e olhei o semblante de alguém que estava cansado demais para chorar direito. Não havia emoção naquele rosto, não lembrava como eu era sem o sorriso falso de todo dia. Não vi alguém forte, eu me vi.